Para que um campo de conhecimento possa ser verdadeiramente reconhecido como ciência, é necessário que ele atenda a dois requisitos básicos:
1. Que esse campo de conhecimento possua bem delimitados e caracterizados os assuntos que pretende estudar. É aquilo que se conhece como campo de estudo da ciência que retrata com clareza "aquilo" que tal ciência estuda.
2. Que o estudo desse assunto possua métodos próprios de investigação, isto é, tenha como base certos tipos específicos de passos formais que deverão ser galgados até que seja atingido o objetivo final, que é o conhecimento tão completo e adequado quanto possível daquilo que essa ciência se propôs estudar.
Um dos aspectos do comportamento humano, cujo estudo mais tem sido incentivado na atualidade, é aquele que procura compreender como as pessoas vivem e resolvem seus problemas dentro do seu contexto de trabalho. Diferentemente da tecnologia, das finanças e da comercialização, a administração das empresas tem deixado claro que o elemento humano se caracteriza como fator preponderante na facilitação ou comprometimento da chegada aos objetivos organizacionais.
Não se pode negar o grande valor de Taylor como pioneiro em procurar sistematizar o processo administrativo dentro das organizações. Seu enfoque, no entanto, concebia o comportamento humano como resultante direta daquelas medidas tomadas externamente aos indivíduos. Ele valorizou com grande ênfase as variáveis ambientais, acreditando que, se o ambiente de trabalho estivesse suficientemente arrumado e organizado, o empregado não teria outro comportamento senão o de produzir. Taylor é por isso conhecido como o pai da Administração Científica, legando-nos todo um conjunto de técnicas de racionalização de trabalho, treinamento especializado conforme o cargo, departamentalização e especificidade na atribuição de responsabilidades técnicas de cronometragem, pagamento por peças produzidas e assim por diante.
Em seu livro Princípios de administração científica, procurou combater a atitude desorganizada de administrar, propondo maior sistematização, e como resultado acreditava que se poderia chegar a múltiplos benefícios, como propõe no final de sua obra:
"O baixo custo da produção, que resulta do grande aumento de rendimento, habilitará as companhias que adotaram a administração científica e, particularmente, aquelas que a instituíram em primeiro lugar, a competir melhor do que antes e, com isto, ampliarão seus mercados, steus homens terão constantemente trabalho, mesmo em tempos difíceis, e ganharão maiores salários, qualquer que seja a época.
Isto significa aumento de prosperidade e diminuição de pobreza, não somente para os trabalhadores, mas também para toda a comunidade.
Como elemento incidente neste grande benefício à produção, cada trabalhador é sistematicamente treinado no mais alto grau de eficiência; aprende a fazer espécie mais elevada de trabalho (a qual não conseguia sob os antigos sistemas de administração), ao mesmo tempo que adquire atitude cordial para com seus patrões e condições de trabalho, enquanto antes grande parte de seu tempo era gasto em crítica, vigilância suspeitosa e, às vezes, franca hostilidade. Este benefício generalizado a todos os que trabalham sob o sistema é, sem dúvida, o mais importante elemento da questão."
A escola da Administração Científica trouxe sua contribuição inegável num momento em que a Revolução Industrial se encontrava em grande efervescência. Sem dúvida alguma, ela atendeu a necessidades básicas do homem em termos de prover maior conforto físico e maior segurança em situação de trabalho. Seu autor não teve, todavia, tempo suficiente para ir mais a fundo quanto ao exame dos motivou intrínsecos e de ordem mais íntima daqueles que passam a maior parte de suas vidas dentro do ambiente de trabalho. Assim, a tão almejada atitude cordial, a perda da atitude crítica, a vigilância suspeitosa que poderia chegar até à franca hostilidade não desapareceram como Taylor esperava.
Com o passar dos tempos, soluções generalistas começaram a se mostrar inoperantes pois as pessoas que trabalham não são iguais e, portanto, não respondem da mesma forma a um padrão de tratamento.
A psicologia do comportamento organizacional tem atualmente como objetivo precípuo aprofundar-se no estudo do homem em situação de trabalho de forma menos generalizada. Leavit focaliza bem esse campo de estudo quando diz: "Todos parecemos fazer alguma espécie de generalização acerca de pessoas, e isso é importante no decidir o que é 'prático' e o que é 'apenas teórico'. Os administradores têm a reputação de ser práticos e objetivos, reputação que os novatos podem equiparar erroneamente a uma forma de pensar inteiramente concreta e não genérica. Sem embargo disso, os enunciados que acima transcrevemos são extremamente gerais, extremamente teóricos. Poderão expressar uma teoria de escasso valor, mas indicam a necessidade de generalizações teóricas, que sirvam de base às atividades práticas. Uma teoria psicológica qualquer é tão necessária ao administrador que lida com problemas humanos, quanto o é uma teoria elétrica e mecânica ao engenheiro que lida com problemas de máquinas. Sem a sua Teoria, o engenheiro não poderá diagnosticar a falha do mecanismo quando a máquina pára, nem poderá pré-avaliar os efeitos de uma mudança sugerida no desenho. Sem uma teoria psicológica, o administrador não compreenderá o significado das bandeiras vermelhas da desordem humana; nem predirá os efeitos prováveis das rrmdanças que se pretendem fazer na organização ou na política de pessoal.''
Se o "bom-senso" se tem mostrado como ingrediente necessário para a compreensão do comportamento humano em situação de trabalho, perante um julgamento mais crítico, ele não pode ser caracterizado como suficiente. A pesquisa sistemática deve, dentro desse campo de estudo das ciências comportamentais, fundamentar as teorias que, por sua vez, apresentam viabilidade de comprovação prática a qualquer momento.
Os enunciados aos quais Leavit se refere são típicos dos psicólogos de algibeira e comumente surgem em conversas informais ou mesmo reuniões importantes; são as seguintes: "As pessoas são basicamente preguiçosas" ou "as pessoas só querem uma oportunidade para mostrar o que são capazes de fazer". "Tenha sempre cuidado com um executivo que perde as estribeiras" ou "tenha sempre de olho o homem que nunca perde a calma”. “Um bom vendedor vende a própria imagem antes de vender o seu produto" ou "um bom produto vende-se por si só". "Se dermos um dedinho a uma pessoa, ela quererá o braço inteiro" ou "a bondade gera a bondade". "Os homens precisam saber exatamente quais são suas tarefas" ou "os homens trabalham melhor quando podem escolher suas próprias tarefas".
Ao ler as frases enunciadas anteriormente qualquer pessoa logo se lembrará de uma exceção a tais regras e isso levanta o fato de quão frágeis são tais argumentos para que sejam universalmente aceitos e aplicados.
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Mecanismos de defesa ou ajustamento
Nossa personalidade é o resultado do conflito entre duas forças opostas: o Id - força biológica, natural, procurando satisfazer os impulsos e desejos, e o Superego - força social, adquirida, procurando impedir a satisfação dos impulsos e desejos.
Nossa razão, ou nosso Ego, poderá harmonizar esse conflito por via natural. Porém, muitas vezes necessita de alguns mecanismos para resolver tal conflito. Chamamos de mecanismos de defesa os modos pelos quais o Ego vai buscar equilibrar essas duas forças opostas (Id e Superego) quando não consegue o equilíbrio por vias naturais. Os mecanismos de defesa, embora apresentem a realidade de maneira distorcida, ajudam a preservar nossa saúde mental.
No nosso dia-a-dia, passamos por várias situações que não desejamos, não respondemos quando desejaríamos, não agredimos como desejaríamos agredir ou não nos comportamos como gostaríamos de nos comportar. Acumulamos uma série de energias dentro de nós que terão que ser descarregadas de qualquer maneira, seja por vias naturais ou pelos mecanismos de defesa. o descarregar as energias acumuladas preservamos nossa saúde mental.
Por exemplo: Um indivíduo, ao acordar atrasado para uma importantíssima reunião e procurar uma determinada roupa, tem a surpresa de encontrá-la amassada, suja ou na máquina de lavar. Vem a explosão.
Aos gritos reclama: "eu não sei o que acontece nesta casa, todas as vezes que tenho um compromisso e procuro pela roupa que quero vestir, ela nunca está no lugar ou limpa. Esta casa está virando uma bagunça".
Sai de casa batendo portas. É óbvio que tudo o que ele disse foi para alguém que cuida destas tarefas, como mãe, empregada ou esposa. Nesse momento, o Id se manifestou. Na ida para o trabalho sente um certo remorso, pela explosão, pensando que não deveria ter agido daquela maneira, afinal, coitada, ela tem tantas coisas para fazer... É o superego se manifestando. Quando volta para casa, tentando resolver a situação, ou pede desculpas pelo ocorrido ou faz algum agrado para a pessoa com quem explodiu. É o Ego se manifestando.
No exemplo acima, o Ego não agiu por vias naturais, ele agiu utilizando-se de mecanismos de defesa. Por vias naturais, a pessoa vestiria outra roupa e iria embora sem "explodir" com ninguém.
Os mecanismos de defesa também nos ajudam a observar as resistências que as pessoas apresentam. Seguem abaixo alguns mecanismos de defesa:
Atos falhos (trocas) e lapsos (esquecimentos):
É comum termos enganos, trocarmos palavras, esquecermos objetos, atos que praticamos aparentemente sem querer e de modo explicável. Os atos falhos são causados pelos impulsos reprimidos que procuram se descarregar de qualquer modo. Ex.: Um profissional de informática referir-se ao aplicativo pelo nome do antigo, ou mesmo, esquecer comandos e instruções.
A psicanálise não aceita lapsos, falhas, esquecimentos ou enganos como justificativas de muitas coisas que fazemos. Os atos falhos devem ser atentamente observados, pois são sintomáticos, possuem um valor revelador de alguma coisa que a pessoa tenta ocultar.
É freqüente perdermos objetos que foram dados por pessoas de quem não gostamos, enganarmos com o itinerário ou perdermos a condução quando vamos aborrecidos a algum lugar.
Muitas vezes, esquecemos coisas porque, inconscientemente, associamos a pessoa ou situação atual a alguma experiência negativa do passado. Por exemplo: nosso colega de classe nos pede um livro emprestado e nós esquecemos de trazê-lo durante vários dias consecutivos e pensamos: "gosto dessa pessoa, por¬que esqueço ?". O problema não é esta pessoa, mas alguma característica física dela ou do contexto que o inconsciente asso¬cia a uma situação já vivenciada e mal resolvida que a faz esquecer. Há traços do passado marcando o presente o que nos levam a cometermos os atos falhos e nos fornecem indícios de que existem coisas dentro de nós que não foram bem trabalhadas.
Sonhos:
Muitos produtos do nosso inconsciente são liberados quando estamos dormindo, por meio dos nossos sonhos. Entre¬tanto, são conteúdos tão condenáveis que, para conseguirem se manifestar, precisam vir "camuflados".
Uma pessoa, por exemplo, que não pôde revidar quando foi injustamente repreendida pelo chefe, poderá sonhar que agrediu uma pessoa adulta ou que um colega agrediu seu chefe.
As imagens que aparecem nos sonhos e por meio das quais algumas vezes são relatadas, são chamadas de conteúdo manifesto e são as cenas do sonho que se consegue lembrar. Por trás do conteúdo manifesto de um sonho está seu conteúdo latente, que é a interpretação do que está por trás das imagens, que se obtém, em geral, pela interpretação psicanalítica. Os sonhos são "mascarados/camuflados" e, por trás deles estão vários conteúdos do inconsciente que não conseguimos compreender.
Fantasias:
É a capacidade de imaginar, criar algo diferente da realidade. É a capacidade imaginativa da pessoa em relação aos seus desejos. Uma visível manifestação da fantasia nos dias atuais refere-se à maioria das relações que se dá nas salas de bate-papo da Internet.
"A fantasia pode ser um conceito de extrema relevância para pensar as relações virtuais, estabelecidas entre os habitantes do ciberespaço, nos chats de conversação. Nestas relações não presentificadas e, portanto, anônimas, a adoção de um pseudônimo ou mesmo a construção de uma ou mais personagens para se comunicar com os outros são freqüentes” (Lanzarin, 2000, p.29).
A fantasia possibilita a realização de um desejo. Como as relações virtuais são anônimas e acorpóreas, possibilitam a vivência da fantasia e o exercício da criatividade. Ao se criar um personagem, projeta-se e transfere-se para ele os desejos ocultos. A criação do personagem pode ser consciente, mas os motivos que levam à criação daquele personagem, são inconscientes.
Intoxicação:
Em estado de intoxicação alcoólica, a pessoa consegue se soltar ou demonstrar tendências agressivas que ela própria desconhece, quando sóbria. Num momento de tensão, a pessoa consegue liberar, por meio do álcool, o Id. Satisfaz, em parte o seu Id, e justifica, perante o Superego, seu estado, que foi provocado pelo álcool (a intoxicação, como mecanismo de defesa, não se refere ao alcoólatra ou à pessoa viciada em droga, mas, sim, àquelas pessoas que ocasionalmente fazem uso do álcool ou droga). Por exemplo, numa festa de confraternização da empresa, um funcionário quieto e bem comportado pode beber, dizer ou fazer coisas jamais imaginadas por ele ou seus colegas.
Racionalização:
São pretextos ou desculpas socialmente aceitáveis que nós damos aos outros e principalmente a nós mesmos para nossas ações que, na realidade, foram motivadas pelos impulsos do Id.
Por exemplo: Passeando no shopping, a moça olha uma vitrine e vê um belo vestido (que aguça seu Id), mas o vestido custa quase o seu salário (o Superego é aguçado, pois ela tem que pagar a faculdade, comprar livros, e outras despesas urgentes). Num impulso, a moça entra na loja e compra o vestido. Justifica a si própria e aos outros dizendo que está cansada de comprar roupas baratas que viram trapo na primeira lavada. Comprou este, pagou caro, mas é para toda vida.
O usuário de informática que deseja contrariar o instrutor pode apresentar pretextos como "é muito caro, faltam algumas funções" só para não utilizar o software que o instrutor propôs.
A racionalização não é mentira. A mentira é consciente e, quando mentimos não tentamos convencer a nós mesmos, pois sabemos que tal fato não é verdade, a justificativa serve apenas para convencer o outro.
Ninguém se vê livre da racionalização, porém, quanto mais inteligente e mais dominadora for a pessoa, mais se valerá desse processo.
A finalidade da racionalização é manter o auto-respeito e reduzir as tensões resultantes da frustração e dos sentimentos de culpa.
Projeção:
É atribuir aos outros nossos próprios desejos e impulsos. São desejos que por alguma razão não podemos admitir em nós e acabamos por projetar em outras pessoas. A projeção influi consideravelmente no modo de se interpretar o comportamento de outras pessoas. Exemplos:
- O usuário pergunta ao instrutor se ele não tem uma maneira mais fácil de ensinar, quando na realidade é ele, usuário, que está com dificuldade de aprender.
- Pouco antes do término da aula, o professor diz: "vou parar por aqui porque vocês já estão cansados" (quando todos os alunos estavam prestando atenção e não reclamavam de cansaço). O professor projetou o próprio cansaço nos alunos.
- Um executivo acusa seus colegas de serem muito competitivos e não percebe que ele também é, às vezes, até mais que os seus colegas.
- Uma mulher que critica uma outra por suas roupas insinuantes, quando, na verdade, ela gostaria de usar tal roupa.
- Numa negociação, o fato da pessoa inconscientemente identificar no outro aspectos que não aceita em si mesma, pode impedir que a negociação aconteça, pois a projeção que está fazendo vai interferir na interpretação da proposta que está sendo feita pelo outro, objeto de sua projeção.
Reação de Conversão:
Muitas vezes, não conseguimos harmonizar os impulsos do Id com o Superego por meio de outros mecanismos. Então, o conflito entre essas duas forças vai se transformar em um sintoma físico, como dor de cabeça, perturbação digestiva, e outros. Na reação de conversão, aparecem todos os sintomas, mas testes e exames médicos não acusam nada. A doença é apenas psicológica. Os conflitos emocionais transformaram-se em sintomas físicos. Exemplos:
- Sentir fortes dores no estômago no dia da prova.
- A pessoa que resiste em aprender a utilizar o computador e apresenta problemas de visão só quando olha para a tela do computador.
- No dia da importante reunião, a pessoa não pode comparecer pois não pára de vomitar, sintoma este que desaparece após a reunião.
- Toda a vez que se marca um treinamento, o funcionário tem que se ausentar pois está com fortes dores de cabeça (que cessam quando o treinamento termina).
Doenças Psicossomáticas:
A má administração das emoções ou do estado emocional pode fazer com que realmente se crie uma doença. Não se tem apenas os sintomas, mas a doença também. Um exame clínico acusará, por exemplo, uma gastrite.
Sublimação:
É a satisfação dos impulsos e desejos de manei¬ra modificada ou transformada em atos socialmente aceitáveis. Os impulsos se manifestam sem ferir as conveniências sociais. A pessoa pode modificar o objeto (ou pessoa), a ação ou os dois. Exemplos:
- Um funcionário satisfaz seu impulso de agredir seu chefe dando um soco na mesa quando este sai da sala.
- O vendedor soca o telefone após discutir com o cliente (quando, na verdade, gostaria de socar o cliente).
- Insatisfeito com a nota, o aluno pica a prova (inconscientemente, quer "picar" o professor).
- Um rapaz sente um desejo natural de acariciar a moça que acabou de chegar. Satisfaz esse impulso acariciando a criança que está com ela.
- A moça ao sentir, inconscientemente, o desejo de acariciar o homem que acaba de entrar na loja, alisa a blusa que a balconista estava lhe mostrando.
- Um funcionário satisfaz seu desejo de bater em seu chefe, agredindo-o por meio de palavras.
- Usuário descarrega sua raiva batendo com força o teclado ou dá um tapa na mesa após um comando mal sucedido.
Segundo Sigmund Freud , a sublimação tem importante papel no desenvolvimento do homem civilizado e nas realizações culturais. É o mecanismo de defesa mais recomendado.
Os mecanismos de defesa ajustam o indivíduo, desde que não sejam utilizados em excesso. Do contrário, em vez de serem úteis, tornam-se prejudiciais. A utilização prolongada e inconsciente pode ser funesta ao ajustamento individual, afastando a pessoa da realidade objetiva e impedindo-a de enfrentar produtivamente o problema, pois o Ego baseia-se no princípio da realidade, mas, ao usar os mecanismos de defesa, apresenta uma realidade distorcida.
É importante observar que os mecanismos de defesa são sempre inconscientes. Quando estamos negociando com uma pessoa e percebemos que ela está usando qualquer mecanismo de defesa, podemos deixar a negociação para uma outra oportunidade, pois, nesse momento, pela defesa, a pessoa passa não ouvir o que temos a dizer.
No cotidiano, geralmente usamos mais de um mecanismo defesa para uma situação. Por exemplo:
- "Não consigo uma promoção, mas sei porque. É o chefe que não gosta de mim".
"O chefe não gosta de mim" - projeção, seguida de racionalização "não consigo uma promoção". Em circunstâncias normais, quando o chefe não gosta de um funcionário, ele o demite ou o transfere para outro setor. Neste caso, é o funcionário que não gosta do chefe e projeta como se fosse o chefe que não gostasse dele. Esta passa a ser a desculpa que ele dá aos outros e principal¬mente a si próprio sobre o fato de não conseguir a promoção.
- Marta teve um dia aterrorizante. Começou pela manhã quando derrubou café na roupa. Por um erro de digitação num relatório, seu chefe a humilhou perante os colegas. Mais tarde, um colega que deveria passar uns dados para que pudesse terminar uma planilha não o fez e novamente seu chefe lhe chamou a atenção, sem dar-lhe oportunidade de se defender. Foi para a casa, brigou com a mãe porque o jantar estava frio. Procurou sua blusa de lã verde e não a encontrou. Seu irmão, que acabava de chegar, estava com a blusa. Ela lhe deu um tapa e arrancou-lhe a blusa.
a) Ato falho = erro na digitação (alguma associação com situações já vivenciadas no passado provocou o erro),
b) Sublimação por ação e objeto = não consegue descarregar a raiva no chefe e a descarrega na mãe (muda o objeto, portanto, sublimação por objeto); não agride fisicamente (muda a ação) e, sim, reclama do jantar.
c) Sublimação por objeto = não consegue descarregar a raiva no chefe e a descarrega no irmão (muda o objeto, portanto, sublimação por objeto). A ação não foi sublimada, pois ela manteve a reação impulsiva, bateu no irmão.
Obs.: Sublimação por ação: ocorreria se Marta tivesse discutido com o chefe, pois manteria o objeto (descarregaria em quem a irritou, ou seja, o próprio chefe), mas sublimaria a ação (em vez de agredi-lo fisicamente, agrediria por palavras).
- "Errei os dados. Mas, também, como poderia me concentrar se a cada cinco minutos o telefone toca e cada um que passa por minha mesa pede uma informação?"
Ato falho (quando erra os dados) seguido de racionalização, quando se justifica.
A contribuição da Psicanálise para a Psicologia das Organizações se dá ao mostrar como as pessoas se defendem e como essas defesas podem barrar uma negociação. A maneira pela qual uma pessoa se defende mostra muito do que ela é e como ela lida com a realidade objetiva. "Inseguranças inexplicáveis diante de obstáculos, motivações objetivamente inexplicáveis, desajustamentos aparentemente injustificáveis podem trazer atrás de si uma história de experiências desagradáveis que passaram para o domínio do inconsciente, mas que continuam, mesmo esquecidas atualmente, a determinar a maneira de ser do funcionário-problema" (Bergamini, 1992, p.57).
Alguns problemas de produtividade ou de relacionamento dentro das organizações são decorrentes de produtos armazenados no inconsciente. Muitos administradores dão férias ou licença para funcionários que apresentam esses problemas, acre¬ditando que é algo passageiro. Estão apenas lidando com o sintoma e não com a causa. Bons funcionários que começam a adoecer sem problemas de ordem física ou pessoas que racionalizam em excesso, geralmente estão enquadradas nestes casos.
A Psicanálise também ajuda a ler o comportamento de uma nação a partir da construção do aparelho psíquico. Conhecendo as leis e o comportamento moral estabelecido por um determinado país, identificamos a construção de seu superego e saberemos como nos comportar em relação a esse país.
Leia também:
Teoria Psicanalítica da Personalidade Humana
Princípios da personalidade ou instâncias psíquicas
Palavras-chave: Psicologia na administração.
Nossa razão, ou nosso Ego, poderá harmonizar esse conflito por via natural. Porém, muitas vezes necessita de alguns mecanismos para resolver tal conflito. Chamamos de mecanismos de defesa os modos pelos quais o Ego vai buscar equilibrar essas duas forças opostas (Id e Superego) quando não consegue o equilíbrio por vias naturais. Os mecanismos de defesa, embora apresentem a realidade de maneira distorcida, ajudam a preservar nossa saúde mental.
No nosso dia-a-dia, passamos por várias situações que não desejamos, não respondemos quando desejaríamos, não agredimos como desejaríamos agredir ou não nos comportamos como gostaríamos de nos comportar. Acumulamos uma série de energias dentro de nós que terão que ser descarregadas de qualquer maneira, seja por vias naturais ou pelos mecanismos de defesa. o descarregar as energias acumuladas preservamos nossa saúde mental.
Por exemplo: Um indivíduo, ao acordar atrasado para uma importantíssima reunião e procurar uma determinada roupa, tem a surpresa de encontrá-la amassada, suja ou na máquina de lavar. Vem a explosão.
Aos gritos reclama: "eu não sei o que acontece nesta casa, todas as vezes que tenho um compromisso e procuro pela roupa que quero vestir, ela nunca está no lugar ou limpa. Esta casa está virando uma bagunça".
Sai de casa batendo portas. É óbvio que tudo o que ele disse foi para alguém que cuida destas tarefas, como mãe, empregada ou esposa. Nesse momento, o Id se manifestou. Na ida para o trabalho sente um certo remorso, pela explosão, pensando que não deveria ter agido daquela maneira, afinal, coitada, ela tem tantas coisas para fazer... É o superego se manifestando. Quando volta para casa, tentando resolver a situação, ou pede desculpas pelo ocorrido ou faz algum agrado para a pessoa com quem explodiu. É o Ego se manifestando.
No exemplo acima, o Ego não agiu por vias naturais, ele agiu utilizando-se de mecanismos de defesa. Por vias naturais, a pessoa vestiria outra roupa e iria embora sem "explodir" com ninguém.
Os mecanismos de defesa também nos ajudam a observar as resistências que as pessoas apresentam. Seguem abaixo alguns mecanismos de defesa:
Atos falhos (trocas) e lapsos (esquecimentos):
É comum termos enganos, trocarmos palavras, esquecermos objetos, atos que praticamos aparentemente sem querer e de modo explicável. Os atos falhos são causados pelos impulsos reprimidos que procuram se descarregar de qualquer modo. Ex.: Um profissional de informática referir-se ao aplicativo pelo nome do antigo, ou mesmo, esquecer comandos e instruções.
A psicanálise não aceita lapsos, falhas, esquecimentos ou enganos como justificativas de muitas coisas que fazemos. Os atos falhos devem ser atentamente observados, pois são sintomáticos, possuem um valor revelador de alguma coisa que a pessoa tenta ocultar.
É freqüente perdermos objetos que foram dados por pessoas de quem não gostamos, enganarmos com o itinerário ou perdermos a condução quando vamos aborrecidos a algum lugar.
Muitas vezes, esquecemos coisas porque, inconscientemente, associamos a pessoa ou situação atual a alguma experiência negativa do passado. Por exemplo: nosso colega de classe nos pede um livro emprestado e nós esquecemos de trazê-lo durante vários dias consecutivos e pensamos: "gosto dessa pessoa, por¬que esqueço ?". O problema não é esta pessoa, mas alguma característica física dela ou do contexto que o inconsciente asso¬cia a uma situação já vivenciada e mal resolvida que a faz esquecer. Há traços do passado marcando o presente o que nos levam a cometermos os atos falhos e nos fornecem indícios de que existem coisas dentro de nós que não foram bem trabalhadas.
Sonhos:
Muitos produtos do nosso inconsciente são liberados quando estamos dormindo, por meio dos nossos sonhos. Entre¬tanto, são conteúdos tão condenáveis que, para conseguirem se manifestar, precisam vir "camuflados".
Uma pessoa, por exemplo, que não pôde revidar quando foi injustamente repreendida pelo chefe, poderá sonhar que agrediu uma pessoa adulta ou que um colega agrediu seu chefe.
As imagens que aparecem nos sonhos e por meio das quais algumas vezes são relatadas, são chamadas de conteúdo manifesto e são as cenas do sonho que se consegue lembrar. Por trás do conteúdo manifesto de um sonho está seu conteúdo latente, que é a interpretação do que está por trás das imagens, que se obtém, em geral, pela interpretação psicanalítica. Os sonhos são "mascarados/camuflados" e, por trás deles estão vários conteúdos do inconsciente que não conseguimos compreender.
Fantasias:
É a capacidade de imaginar, criar algo diferente da realidade. É a capacidade imaginativa da pessoa em relação aos seus desejos. Uma visível manifestação da fantasia nos dias atuais refere-se à maioria das relações que se dá nas salas de bate-papo da Internet.
"A fantasia pode ser um conceito de extrema relevância para pensar as relações virtuais, estabelecidas entre os habitantes do ciberespaço, nos chats de conversação. Nestas relações não presentificadas e, portanto, anônimas, a adoção de um pseudônimo ou mesmo a construção de uma ou mais personagens para se comunicar com os outros são freqüentes” (Lanzarin, 2000, p.29).
A fantasia possibilita a realização de um desejo. Como as relações virtuais são anônimas e acorpóreas, possibilitam a vivência da fantasia e o exercício da criatividade. Ao se criar um personagem, projeta-se e transfere-se para ele os desejos ocultos. A criação do personagem pode ser consciente, mas os motivos que levam à criação daquele personagem, são inconscientes.
Intoxicação:
Em estado de intoxicação alcoólica, a pessoa consegue se soltar ou demonstrar tendências agressivas que ela própria desconhece, quando sóbria. Num momento de tensão, a pessoa consegue liberar, por meio do álcool, o Id. Satisfaz, em parte o seu Id, e justifica, perante o Superego, seu estado, que foi provocado pelo álcool (a intoxicação, como mecanismo de defesa, não se refere ao alcoólatra ou à pessoa viciada em droga, mas, sim, àquelas pessoas que ocasionalmente fazem uso do álcool ou droga). Por exemplo, numa festa de confraternização da empresa, um funcionário quieto e bem comportado pode beber, dizer ou fazer coisas jamais imaginadas por ele ou seus colegas.
Racionalização:
São pretextos ou desculpas socialmente aceitáveis que nós damos aos outros e principalmente a nós mesmos para nossas ações que, na realidade, foram motivadas pelos impulsos do Id.
Por exemplo: Passeando no shopping, a moça olha uma vitrine e vê um belo vestido (que aguça seu Id), mas o vestido custa quase o seu salário (o Superego é aguçado, pois ela tem que pagar a faculdade, comprar livros, e outras despesas urgentes). Num impulso, a moça entra na loja e compra o vestido. Justifica a si própria e aos outros dizendo que está cansada de comprar roupas baratas que viram trapo na primeira lavada. Comprou este, pagou caro, mas é para toda vida.
O usuário de informática que deseja contrariar o instrutor pode apresentar pretextos como "é muito caro, faltam algumas funções" só para não utilizar o software que o instrutor propôs.
A racionalização não é mentira. A mentira é consciente e, quando mentimos não tentamos convencer a nós mesmos, pois sabemos que tal fato não é verdade, a justificativa serve apenas para convencer o outro.
Ninguém se vê livre da racionalização, porém, quanto mais inteligente e mais dominadora for a pessoa, mais se valerá desse processo.
A finalidade da racionalização é manter o auto-respeito e reduzir as tensões resultantes da frustração e dos sentimentos de culpa.
Projeção:
É atribuir aos outros nossos próprios desejos e impulsos. São desejos que por alguma razão não podemos admitir em nós e acabamos por projetar em outras pessoas. A projeção influi consideravelmente no modo de se interpretar o comportamento de outras pessoas. Exemplos:
- O usuário pergunta ao instrutor se ele não tem uma maneira mais fácil de ensinar, quando na realidade é ele, usuário, que está com dificuldade de aprender.
- Pouco antes do término da aula, o professor diz: "vou parar por aqui porque vocês já estão cansados" (quando todos os alunos estavam prestando atenção e não reclamavam de cansaço). O professor projetou o próprio cansaço nos alunos.
- Um executivo acusa seus colegas de serem muito competitivos e não percebe que ele também é, às vezes, até mais que os seus colegas.
- Uma mulher que critica uma outra por suas roupas insinuantes, quando, na verdade, ela gostaria de usar tal roupa.
- Numa negociação, o fato da pessoa inconscientemente identificar no outro aspectos que não aceita em si mesma, pode impedir que a negociação aconteça, pois a projeção que está fazendo vai interferir na interpretação da proposta que está sendo feita pelo outro, objeto de sua projeção.
Reação de Conversão:
Muitas vezes, não conseguimos harmonizar os impulsos do Id com o Superego por meio de outros mecanismos. Então, o conflito entre essas duas forças vai se transformar em um sintoma físico, como dor de cabeça, perturbação digestiva, e outros. Na reação de conversão, aparecem todos os sintomas, mas testes e exames médicos não acusam nada. A doença é apenas psicológica. Os conflitos emocionais transformaram-se em sintomas físicos. Exemplos:
- Sentir fortes dores no estômago no dia da prova.
- A pessoa que resiste em aprender a utilizar o computador e apresenta problemas de visão só quando olha para a tela do computador.
- No dia da importante reunião, a pessoa não pode comparecer pois não pára de vomitar, sintoma este que desaparece após a reunião.
- Toda a vez que se marca um treinamento, o funcionário tem que se ausentar pois está com fortes dores de cabeça (que cessam quando o treinamento termina).
Doenças Psicossomáticas:
A má administração das emoções ou do estado emocional pode fazer com que realmente se crie uma doença. Não se tem apenas os sintomas, mas a doença também. Um exame clínico acusará, por exemplo, uma gastrite.
Sublimação:
É a satisfação dos impulsos e desejos de manei¬ra modificada ou transformada em atos socialmente aceitáveis. Os impulsos se manifestam sem ferir as conveniências sociais. A pessoa pode modificar o objeto (ou pessoa), a ação ou os dois. Exemplos:
- Um funcionário satisfaz seu impulso de agredir seu chefe dando um soco na mesa quando este sai da sala.
- O vendedor soca o telefone após discutir com o cliente (quando, na verdade, gostaria de socar o cliente).
- Insatisfeito com a nota, o aluno pica a prova (inconscientemente, quer "picar" o professor).
- Um rapaz sente um desejo natural de acariciar a moça que acabou de chegar. Satisfaz esse impulso acariciando a criança que está com ela.
- A moça ao sentir, inconscientemente, o desejo de acariciar o homem que acaba de entrar na loja, alisa a blusa que a balconista estava lhe mostrando.
- Um funcionário satisfaz seu desejo de bater em seu chefe, agredindo-o por meio de palavras.
- Usuário descarrega sua raiva batendo com força o teclado ou dá um tapa na mesa após um comando mal sucedido.
Segundo Sigmund Freud , a sublimação tem importante papel no desenvolvimento do homem civilizado e nas realizações culturais. É o mecanismo de defesa mais recomendado.
Os mecanismos de defesa ajustam o indivíduo, desde que não sejam utilizados em excesso. Do contrário, em vez de serem úteis, tornam-se prejudiciais. A utilização prolongada e inconsciente pode ser funesta ao ajustamento individual, afastando a pessoa da realidade objetiva e impedindo-a de enfrentar produtivamente o problema, pois o Ego baseia-se no princípio da realidade, mas, ao usar os mecanismos de defesa, apresenta uma realidade distorcida.
É importante observar que os mecanismos de defesa são sempre inconscientes. Quando estamos negociando com uma pessoa e percebemos que ela está usando qualquer mecanismo de defesa, podemos deixar a negociação para uma outra oportunidade, pois, nesse momento, pela defesa, a pessoa passa não ouvir o que temos a dizer.
No cotidiano, geralmente usamos mais de um mecanismo defesa para uma situação. Por exemplo:
- "Não consigo uma promoção, mas sei porque. É o chefe que não gosta de mim".
"O chefe não gosta de mim" - projeção, seguida de racionalização "não consigo uma promoção". Em circunstâncias normais, quando o chefe não gosta de um funcionário, ele o demite ou o transfere para outro setor. Neste caso, é o funcionário que não gosta do chefe e projeta como se fosse o chefe que não gostasse dele. Esta passa a ser a desculpa que ele dá aos outros e principal¬mente a si próprio sobre o fato de não conseguir a promoção.
- Marta teve um dia aterrorizante. Começou pela manhã quando derrubou café na roupa. Por um erro de digitação num relatório, seu chefe a humilhou perante os colegas. Mais tarde, um colega que deveria passar uns dados para que pudesse terminar uma planilha não o fez e novamente seu chefe lhe chamou a atenção, sem dar-lhe oportunidade de se defender. Foi para a casa, brigou com a mãe porque o jantar estava frio. Procurou sua blusa de lã verde e não a encontrou. Seu irmão, que acabava de chegar, estava com a blusa. Ela lhe deu um tapa e arrancou-lhe a blusa.
a) Ato falho = erro na digitação (alguma associação com situações já vivenciadas no passado provocou o erro),
b) Sublimação por ação e objeto = não consegue descarregar a raiva no chefe e a descarrega na mãe (muda o objeto, portanto, sublimação por objeto); não agride fisicamente (muda a ação) e, sim, reclama do jantar.
c) Sublimação por objeto = não consegue descarregar a raiva no chefe e a descarrega no irmão (muda o objeto, portanto, sublimação por objeto). A ação não foi sublimada, pois ela manteve a reação impulsiva, bateu no irmão.
Obs.: Sublimação por ação: ocorreria se Marta tivesse discutido com o chefe, pois manteria o objeto (descarregaria em quem a irritou, ou seja, o próprio chefe), mas sublimaria a ação (em vez de agredi-lo fisicamente, agrediria por palavras).
- "Errei os dados. Mas, também, como poderia me concentrar se a cada cinco minutos o telefone toca e cada um que passa por minha mesa pede uma informação?"
Ato falho (quando erra os dados) seguido de racionalização, quando se justifica.
A contribuição da Psicanálise para a Psicologia das Organizações se dá ao mostrar como as pessoas se defendem e como essas defesas podem barrar uma negociação. A maneira pela qual uma pessoa se defende mostra muito do que ela é e como ela lida com a realidade objetiva. "Inseguranças inexplicáveis diante de obstáculos, motivações objetivamente inexplicáveis, desajustamentos aparentemente injustificáveis podem trazer atrás de si uma história de experiências desagradáveis que passaram para o domínio do inconsciente, mas que continuam, mesmo esquecidas atualmente, a determinar a maneira de ser do funcionário-problema" (Bergamini, 1992, p.57).
Alguns problemas de produtividade ou de relacionamento dentro das organizações são decorrentes de produtos armazenados no inconsciente. Muitos administradores dão férias ou licença para funcionários que apresentam esses problemas, acre¬ditando que é algo passageiro. Estão apenas lidando com o sintoma e não com a causa. Bons funcionários que começam a adoecer sem problemas de ordem física ou pessoas que racionalizam em excesso, geralmente estão enquadradas nestes casos.
A Psicanálise também ajuda a ler o comportamento de uma nação a partir da construção do aparelho psíquico. Conhecendo as leis e o comportamento moral estabelecido por um determinado país, identificamos a construção de seu superego e saberemos como nos comportar em relação a esse país.
Leia também:
Teoria Psicanalítica da Personalidade Humana
Princípios da personalidade ou instâncias psíquicas
Palavras-chave: Psicologia na administração.
Princípios da personalidade ou instâncias psíquicas
Segundo a psicanálise a nossa personalidade é dividida em três grupos de forças: Id, Ego e Superego.
O Id:
O Id remete-se às forças que procedem da camada mais profunda de nossa personalidade. São forças primárias ou os impulsos chamados instintivos. Há duas espécies de instintos ou forças instintivas:
- instintos destruidores: sádicos, masoquistas (de morte);
- instintos criadores: da libido (de vida).
Tais instintos são englobados com o nome de Id.
Pelo Id, você poderá explicar muitos comportamentos, tiques nervosos, depressões e sintomas psicossomáticos.
Algumas dores de cabeça (enxaqueca), alergias, resfriados crônicos podem ser explicados pela atuação de forças profundas da personalidade (Id).
O Id é um componente genético-hereditário, aquilo que o indivíduo já traz ao nascer e já está constitucionalmente estabelecido.
Quando o Id se rebela contra o mundo exterior cria os chamados estados neuróticos.
O Ego:
O Ego serve de intermediário entre o Id (os instintos) e o mundo exterior, freando, controlando o comportamento.
O Ego protege a pessoa dos perigos, criando o medo. E assim vai acumulando experiências e adaptando o indivíduo ao mundo em que vive, de forma útil e conveniente ao seu desenvolvimento.
O Ego orienta-se por uma fria moral autoritária e por uma razão lógica.
O Superego:
É o representante da sociedade dentro de nós. O Superego é o responsável por nossa moral, nossos sentimentos de culpa e os nossos remorsos.
Os pais, os educadores, determinam às crianças em que medida podem ser cumpridas as exigências do Id.
Por exemplo:
- Não filho! Desça daí!
- Não faça isso, é pecado!
- Tem que escovar os dentes todos os dias.
A criança aceita essas prescrições e outras que lhe são transmitidas pela educação.
Identifica-se a criança com os pais, os educadores, as autoridades através do Superego.
Quando, por exemplo, você odeia seu pai, esse ódio é incorporado à sua personalidade e, a partir daí, você passa a odiar toda autoridade.
O dinâmico id – ego – superego
Essas forças da personalidade atuam como um todo, havendo, no entanto, manifestações mais acentuadas, ora de uma, ora de outra força, isto é, a pessoa é ídica (predominância do Id), egóica (predominância do Ego) ou superegóica (predominância do Superego).
O Id e o Superego são forças opostas, em constante conflito. O Superego, quase sempre, é contrário à satisfação da natureza animal, enquanto o Id procura satisfazê-la. Essa luta entre Id e Superego, na maioria das vezes, porém, não é percebida, é inconsciente.
Ego: Quem procura manter o equilíbrio entre essas forças opostas é a nossa razão, a nossa inteligência, é a parte chamada ego. "Quanto aos conteúdos, o ego representaria a maneira de agir na vida de relacionamento com o meio ambiente. Esses conteúdos são regidos pelo princípio da realidade e determinam a linha-limite entre a personalidade e o mundo" (Bergamini, 1992, p. 56). O Ego tenta resolver o constante conflito entre o
Id e o Superego. Numa pessoa normal, o conflito é resolvido com êxito.
Quando o Ego consegue o equilíbrio entre as duas forças em choque, a saúde mental é normal. Mas, no momento em que o Ego não consegue mais manter essa harmonia, predominará o Id ou o Superego, aparecendo os distúrbios mentais.
Podemos dizer que parte do que somos vem da própria natureza humana (Id) e a outra parte da cultura (Superego) e o equilíbrio entre os dois (Ego) mostra qual é a razão ou o padrão de “normalidade” de uma determinada cultura. Por exemplo, nos países árabes, as mães que levam suas filhas para que seus órgãos genitais sejam mutilados estão fazendo o papel de "boa mãe" porque assim determina a sua cultura. Não sentem remorsos ou sentimento de culpa e sim satisfeitas por cumprirem o papel de "boa mãe". O mesmo fato no Brasil poderia levar a mãe após um tempo a sentir remorsos ou pior, caso não sinta será considerada "anormal". Assim, conhecer os padrões morais de uma determinada cultura significa conhecer parte do aparelho psíquico dos integrantes desta cultura e o que a mesma estabelece como normalidade.
Leia também:
Teoria Psicanalítica da Personalidade Humana
Mecanismos de defesa ou ajustamento
Palavras-chave: Psicologia na administração.
O Id:
O Id remete-se às forças que procedem da camada mais profunda de nossa personalidade. São forças primárias ou os impulsos chamados instintivos. Há duas espécies de instintos ou forças instintivas:
- instintos destruidores: sádicos, masoquistas (de morte);
- instintos criadores: da libido (de vida).
Tais instintos são englobados com o nome de Id.
Pelo Id, você poderá explicar muitos comportamentos, tiques nervosos, depressões e sintomas psicossomáticos.
Algumas dores de cabeça (enxaqueca), alergias, resfriados crônicos podem ser explicados pela atuação de forças profundas da personalidade (Id).
O Id é um componente genético-hereditário, aquilo que o indivíduo já traz ao nascer e já está constitucionalmente estabelecido.
Quando o Id se rebela contra o mundo exterior cria os chamados estados neuróticos.
O Ego:
O Ego serve de intermediário entre o Id (os instintos) e o mundo exterior, freando, controlando o comportamento.
O Ego protege a pessoa dos perigos, criando o medo. E assim vai acumulando experiências e adaptando o indivíduo ao mundo em que vive, de forma útil e conveniente ao seu desenvolvimento.
O Ego orienta-se por uma fria moral autoritária e por uma razão lógica.
O Superego:
É o representante da sociedade dentro de nós. O Superego é o responsável por nossa moral, nossos sentimentos de culpa e os nossos remorsos.
Os pais, os educadores, determinam às crianças em que medida podem ser cumpridas as exigências do Id.
Por exemplo:
- Não filho! Desça daí!
- Não faça isso, é pecado!
- Tem que escovar os dentes todos os dias.
A criança aceita essas prescrições e outras que lhe são transmitidas pela educação.
Identifica-se a criança com os pais, os educadores, as autoridades através do Superego.
Quando, por exemplo, você odeia seu pai, esse ódio é incorporado à sua personalidade e, a partir daí, você passa a odiar toda autoridade.
O dinâmico id – ego – superego
Essas forças da personalidade atuam como um todo, havendo, no entanto, manifestações mais acentuadas, ora de uma, ora de outra força, isto é, a pessoa é ídica (predominância do Id), egóica (predominância do Ego) ou superegóica (predominância do Superego).
O Id e o Superego são forças opostas, em constante conflito. O Superego, quase sempre, é contrário à satisfação da natureza animal, enquanto o Id procura satisfazê-la. Essa luta entre Id e Superego, na maioria das vezes, porém, não é percebida, é inconsciente.
Ego: Quem procura manter o equilíbrio entre essas forças opostas é a nossa razão, a nossa inteligência, é a parte chamada ego. "Quanto aos conteúdos, o ego representaria a maneira de agir na vida de relacionamento com o meio ambiente. Esses conteúdos são regidos pelo princípio da realidade e determinam a linha-limite entre a personalidade e o mundo" (Bergamini, 1992, p. 56). O Ego tenta resolver o constante conflito entre o
Id e o Superego. Numa pessoa normal, o conflito é resolvido com êxito.
Quando o Ego consegue o equilíbrio entre as duas forças em choque, a saúde mental é normal. Mas, no momento em que o Ego não consegue mais manter essa harmonia, predominará o Id ou o Superego, aparecendo os distúrbios mentais.
Podemos dizer que parte do que somos vem da própria natureza humana (Id) e a outra parte da cultura (Superego) e o equilíbrio entre os dois (Ego) mostra qual é a razão ou o padrão de “normalidade” de uma determinada cultura. Por exemplo, nos países árabes, as mães que levam suas filhas para que seus órgãos genitais sejam mutilados estão fazendo o papel de "boa mãe" porque assim determina a sua cultura. Não sentem remorsos ou sentimento de culpa e sim satisfeitas por cumprirem o papel de "boa mãe". O mesmo fato no Brasil poderia levar a mãe após um tempo a sentir remorsos ou pior, caso não sinta será considerada "anormal". Assim, conhecer os padrões morais de uma determinada cultura significa conhecer parte do aparelho psíquico dos integrantes desta cultura e o que a mesma estabelece como normalidade.
Leia também:
Teoria Psicanalítica da Personalidade Humana
Mecanismos de defesa ou ajustamento
Palavras-chave: Psicologia na administração.
A Natureza das Ciências do Comportamento
Diferente das ciências exatas, a lógica das ciências comportamentais dirige sua orientação ao desencadear raciocínios, alinhando-se por fatos pertencentes à história de vida de cada um. É dessa forma que, a não ser rarissimamente, essa ciência fornecerá postulados universais e leis rígidas. O ser humano vai passando por experiências pessoais que vão marcando indelevelmente sua história de vida, quer na infância, quer na adolescência, e mesmo na fase adulta. É por isso que se considera que cada um seja o resultado das suas características inatas e das experiências vividas. Atentando-se cuidadosamente para esses fatores e considerando-os por sua coerência intrínseca, será possível conhecer e explicar mais sistematicamente aqueles dados que caracterizam a realidade do comportamento de cada um. Como não há bagagem inata idêntica e tampouco experiências de vida exatamente iguais, é possível chegar à conclusão sobre a diferença mais característica entre as ciências exatas e as ciências comportamentais.No tocante às ciências exatas, torna-se impossível emitir opiniões e crenças, pois uma demonstração numérica poderá refutá-las fulminantemente; assim, ninguém se arrisca, pois seria fácil demonstrar sua ignorância. Com relação às ciências do comportamento, mais amplamente denominadas ciências sociais, tais como a psicologia, a sociologia, a política e outras, o caso é bem outro. No geral todos têm coragem suficiente para explicar e interpretar os fatos, defendendo ardorosamente seu ponto de vista, em que pese ter sido formado de observações esporádicas e precariamente apoiadas numa investigação mais criteriosa de dados empíricos.
Estudiosos denunciaram essa tendência, muito difundida, em considerar os fenômenos comportamentais de forma simplista e apriorística. Henneman o faz de maneira incisiva: "Quase todo mundo tem arraigadas noções a respeito da 'natureza humana' e um alto grau de confiança (raramente justificada) em sua capacidade de 'avaliar' as outras pessoas. Quando as nossas mais caras crenças a respeito do comportamento do nosso semelhante são modificadas ou contraditadas, a maioria de nós se torna intolerante ou rejeita a evidência contrária tachando-a de teoria. Como salientou o psicólogo Carl Rogers, talvez a maior barreira à comunicação seja nossa tendência muito natural para avaliar (e, como consequência, aprovar ou desaprovar) as afirmações das outras pessoas. Não estamos muito dispostos a aceitar informação contrária aos nossos preconceitos e crenças pessoais.
Em virtude dessa tendência em formular leis sobre o comportamento humano a partir de simples opiniões pessoais, muitos livros têm sido escritos, muitas conferências têm sido proferidas e até mesmo grande quantidade de cursos tern sido ministrada não mais divulgando, mas simplesmente banalizando urna área de conhecimento humano que já é há muito oficialmente reconhecida como ciência. Especialmente o sincretismo característico do povo brasileiro tem incentivado as práticas de interpretações errôneas dos comportamentos, por pessoas não cientificamente habilitadas. Para esse tipo de "curioso" é fácil explicar o comportamento das pessoas e, sem cerimônia alguma, fornecer orientações sobre como resolver os problemas pelos quais passam aqueles que os procuram. A exemplo disso, são distribuídos nas ruas folhetos que oferecem a troco de uma "simples consulta" formas de resolver problemas, tais como dificuldades na vida amorosa, nos negócios, no relacionamento com pessoas e muitas outras. Outro tipo muito significativo no contexto brasileiro é a autoridade que conhecidos "pais" ou "mães-de-santo" exercem sobre o destino daquelas pessoas que os procuram; seus conselhos são inexoravelmente seguidos.
Infelizmente a vulgarização das crenças sobre o comportamento humano fez jorrar no mercado livros que contêm idéias fascinantes, mas falsas, inoperantes e até mesmo prejudiciais no tocante ao seu aproveitamento, tendo em vista o nem e a felicidade dos indivíduos que se lançam à sua leitura, buscando alívio para suas inquietações.
Deve-se pensar que a aquisição de conhecimentos sobre o assunto não seja tão simples assim. No momento em que as pessoas devem trilhar o caminho do estudo científico sobre comportamento, parecem logo tornar-se impacientes. Logo percebem que antes de poderem interpretar a si e aos outros estão diante da contingência de ter de acumular uma grande dose de conhecimentos básicos, que na maioria das vezes se
caracterizam por ser eminentemente insípidos e principalmente despidos de imediata aplicação prática.
Ocorre, no entanto, que esse é o único começo possível, e isso implica a aquisição de um considerável acervo de teorias e pesquisas, para que não ocorra o incidente de se redescobrir a roda redonda.
Fonte: BERGAMINI, Cecília W. Psicologia aplicada à Administração de empresas. São Paulo: Atlas, 1997. p. 17-21.
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A Psicologia e o Comportamento Organizacional
Estudiosos denunciaram essa tendência, muito difundida, em considerar os fenômenos comportamentais de forma simplista e apriorística. Henneman o faz de maneira incisiva: "Quase todo mundo tem arraigadas noções a respeito da 'natureza humana' e um alto grau de confiança (raramente justificada) em sua capacidade de 'avaliar' as outras pessoas. Quando as nossas mais caras crenças a respeito do comportamento do nosso semelhante são modificadas ou contraditadas, a maioria de nós se torna intolerante ou rejeita a evidência contrária tachando-a de teoria. Como salientou o psicólogo Carl Rogers, talvez a maior barreira à comunicação seja nossa tendência muito natural para avaliar (e, como consequência, aprovar ou desaprovar) as afirmações das outras pessoas. Não estamos muito dispostos a aceitar informação contrária aos nossos preconceitos e crenças pessoais.
Em virtude dessa tendência em formular leis sobre o comportamento humano a partir de simples opiniões pessoais, muitos livros têm sido escritos, muitas conferências têm sido proferidas e até mesmo grande quantidade de cursos tern sido ministrada não mais divulgando, mas simplesmente banalizando urna área de conhecimento humano que já é há muito oficialmente reconhecida como ciência. Especialmente o sincretismo característico do povo brasileiro tem incentivado as práticas de interpretações errôneas dos comportamentos, por pessoas não cientificamente habilitadas. Para esse tipo de "curioso" é fácil explicar o comportamento das pessoas e, sem cerimônia alguma, fornecer orientações sobre como resolver os problemas pelos quais passam aqueles que os procuram. A exemplo disso, são distribuídos nas ruas folhetos que oferecem a troco de uma "simples consulta" formas de resolver problemas, tais como dificuldades na vida amorosa, nos negócios, no relacionamento com pessoas e muitas outras. Outro tipo muito significativo no contexto brasileiro é a autoridade que conhecidos "pais" ou "mães-de-santo" exercem sobre o destino daquelas pessoas que os procuram; seus conselhos são inexoravelmente seguidos.
Infelizmente a vulgarização das crenças sobre o comportamento humano fez jorrar no mercado livros que contêm idéias fascinantes, mas falsas, inoperantes e até mesmo prejudiciais no tocante ao seu aproveitamento, tendo em vista o nem e a felicidade dos indivíduos que se lançam à sua leitura, buscando alívio para suas inquietações.
Deve-se pensar que a aquisição de conhecimentos sobre o assunto não seja tão simples assim. No momento em que as pessoas devem trilhar o caminho do estudo científico sobre comportamento, parecem logo tornar-se impacientes. Logo percebem que antes de poderem interpretar a si e aos outros estão diante da contingência de ter de acumular uma grande dose de conhecimentos básicos, que na maioria das vezes se
caracterizam por ser eminentemente insípidos e principalmente despidos de imediata aplicação prática.
Ocorre, no entanto, que esse é o único começo possível, e isso implica a aquisição de um considerável acervo de teorias e pesquisas, para que não ocorra o incidente de se redescobrir a roda redonda.
Fonte: BERGAMINI, Cecília W. Psicologia aplicada à Administração de empresas. São Paulo: Atlas, 1997. p. 17-21.
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A Psicologia e o Comportamento Organizacional
Comportamento Humano no Trabalho
O comportamento humano é complexo e multidimensional. Apesar dos avanços das ciências do comportamento, ainda persistem aspectos intrigantes e inexplicáveis que desafiam a compreensão do cientista e do leigo.
O comportamento resulta da inter-relação de variáveis internas e externas, sendo que nenhuma delas, isoladamente, determina a ação observada. Isto quer dizer que é, pelo menos, simplista a tentativa de atribuir uma só causa a uma conduta.
A relação linear de causa e efeito, tão do agrado dos mecanicistas, não se aplica na íntegra ao comportamento humano, apesar de parecer que certo estímulo provoca certa resposta. Observando-se algumas variáveis externas e inferindo-se algumas variáveis internas pode-se pensar em comportamentos prováveis. O enfoque mutante da visão determinista para a visão probabilística do mundo permite maior flexibilidade na compreensão do homem e suas ações.
Três conjuntos interdependentes de variáveis internas influem no comportamento humano: competência, energia e ideologia.
A competência compreende aspectos intelectuais inatos e adquiridos, conhecimentos, capacidades, experiência, maturidade. Uma pessoa competente executa ações adequadas e hábeis em seus afazeres, em sua área de atividade.
A energia biopsíquica manifesta-se no nível de intensidade e na extensão temporal de atividade física e mental, nas emoções e sentimentos, nas características de temperamento e humor. A mobilização e direcionamento para certa atividade e a própria motivação do comportamento, ligada a carências internas, desejos e fatores externos.
A ideologia abrange um conjunto de idéias e princípios hierarquizados, com lastro em valores sociais, políticos, religiosos e filosóficos que influenciam a percepção, o raciocínio, o julgamento, as decisões.
Comportamento, desempenho e posicionamento resultam da interação desses três subsistemas entre si e com os sistemas externos.
Comportamento é a designação genérica da conduta do indivíduo. Desempenho é comportamento qualificado que atende a certas especificações de uma atividade correspondente ao papel social. Por exemplo: comportamentos de pai, mãe, professor (a), gerente, secretária, sacerdote, militar, médico, enfermeira constituem desempenhos desses papéis sociais. O posicionamento concerne mais à visão e às atitudes gerais da pessoa em relação a questões valorativas de interpretação e julgamento ético, moral, ideológico.
Padrões e normas, demandas, expectativas, critérios de avaliação, recompensas e punições figuram entre as variáveis externas do comportamento.
Desde a infância somos treinados a aceitar e seguir padrões e normas de conduta fornecida pelos pais, professores, colegas e, depois, pelos chefes. As demandas que nos são feitas são atendidas de algum modo, bem como as expectativas dos outros. Nosso comportamento é modelado, em grande parte, por esses fatores e, em especial, pelas expectativas alheias. Quantos esforços e sacrifícios são feitos para satisfazer os planos e as esperanças de pessoas emocionalmente importantes em nossa vida. E quanto maior o vínculo afetivo com a pessoa, maior a motivação para atender às suas expectativas.
Recompensas e punições exercem grande influência em nossos comportamentos, estimulando alguns a se repetirem e desencorajando outros a se manifestarem. Quem ainda tem dúvidas sobre o efeito considerável desses fatores externos, sob forma de promessas explícitas ou insinuadas, de ameaças diretas ou sutis?
Os critérios de avaliação, previamente informados, também afetam a conduta para a consolidação de determinado desempenho social ou profissional.
Cada pessoa cumpre vários papéis sociais na vida real. Suas características de personalidade mesclam-se às variáveis externas no desempenho de cada papel, dando a este um colorido ou 'marca' absolutamente singular.
A educação, como processo fundamental de socialização, tende a fazer-nos semelhantes para ajustamento à cultura da qual somos parte.
Nosso código genético e conjunturas ambientais, contudo, entrelaçam-se em numerosas probabilidades de diferenciação individualizada.
Somos, por conseguinte, semelhantes e também diferentes na mesma cultura global, embora compartilhando hábitos, atitudes, valores, normas de conduta.
Fonte: MOSCOVICI, Felá. Equipes dão certo. 2. Ed. São Paulo: José Olympio. 1995. P. 26-29.
Sigmund Freud
Sigmund Schlomo Freud (Příbor, 6 de maio de 1856 — Londres, 23 de setembro de 1939) foi um médico neurologista judeu-austríaco, fundador da psicanálise. Nasceu em Freiberg, Morávia (hoje Příbor), quando esta pertencia ao Império Austríaco.
Interessou-se inicialmente pela histeria e, tendo como método a hipnose, estudou pessoas que apresentavam esse quadro. Mais tarde, com interesses pelo inconsciente e pulsões, entre outros, foi influenciado por Charcot e Leibniz, abandonando a hipnose em favor da associação livre e da interpretação dos sonhos. Estes elementos tornaram-se as bases da psicanálise. Freud, além de ter sido um grande cientista e escritor (Prémio Goethe, 1930), possui o título, assim como Darwin e Copérnico, de ter realizado uma revolução no âmbito humano: a idéia de que somos movidos pelo inconsciente.
Freud, suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. Suas idéias são freqüentemente discutidas e analisadas como obras de literatura e cultura geral em adição ao contínuo debate ao redor delas no uso como tratamento científico e médico.
Leia mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sigmund_Freud
Interessou-se inicialmente pela histeria e, tendo como método a hipnose, estudou pessoas que apresentavam esse quadro. Mais tarde, com interesses pelo inconsciente e pulsões, entre outros, foi influenciado por Charcot e Leibniz, abandonando a hipnose em favor da associação livre e da interpretação dos sonhos. Estes elementos tornaram-se as bases da psicanálise. Freud, além de ter sido um grande cientista e escritor (Prémio Goethe, 1930), possui o título, assim como Darwin e Copérnico, de ter realizado uma revolução no âmbito humano: a idéia de que somos movidos pelo inconsciente.
Freud, suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. Suas idéias são freqüentemente discutidas e analisadas como obras de literatura e cultura geral em adição ao contínuo debate ao redor delas no uso como tratamento científico e médico.
Leia mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sigmund_Freud
Teoria Psicanalítica da Personalidade Humana
Ao falar sobre Psicanálise, nos referimos a uma teoria sobre o aparelho psíquico feita por Sigmund Freud (1856-1939).
Um dos grandes feitos de Freud está na descoberta do inconsciente. Nossos comportamentos considerados "incompreensíveis" ou atos aparentemente praticados sem percebermos estão ligados a uma série de fatos ocorridos no nosso passado, a maior parte deles na infância, que não temos consciência, mas que se tornam evidentes no comportamento presente. Estes fatos vêem-se trancados nas profundezas do inconsciente. Freud constrói uma teoria do aparelho psíquico que envolve três níveis de vida mental: consciente, pré-consciente e inconsciente e os três elementos (ou instâncias psíquicas) que compõem a personalidade: Id, superego e ego.
Níveis de vida mental
1) Nível Consciente
Refere-se aos eventos que estão sendo processados neste momento e deles estamos tomando conhecimento imediato. São do nosso domínio. Já que estão acontecendo agora, podemos interferir neles ou mudá-los. Por exemplo: Eu tenho o conhecimento dos pensamentos, emoções e percepções que estão sendo processados agora em minha mente enquanto estou escrevendo este post.
2) Nível Pré-consciente
Existem coisas que já aconteceram em nossas vidas e que não estão acontecendo neste momento, não podemos alterá-los porque já aconteceram, mas, são do nosso conhecimento. Sabemos da existência dos mesmos, podemos chamá-los à nossa cabeça quando quisermos ou precisarmos. Podemos recorrer a eles. Por exemplo: Podemos reviver, em certos momentos, muitas coisas que já aconteceram com a gente, nos quais não estamos continuamente pensando. É aquilo que não está na consciência agora, mas em um momento seguinte pode estar. Se neste momento iniciarmos uma conversa sobre o nosso primeiro dia de faculdade, imediatamente posso resgatar algumas coisas que ocorreram comigo neste primeiro dia.
Estes fatos, tanto os que estão agora se processando em nossa mente como aqueles que poderíamos lembrar neste momento (conscientes e pré-conscientes), são fatos do nosso domínio, do nosso conhecimento sobre a nossa vida. Temos consciência de sua realização.
3) Nível Inconsciente
É onde se encontram os registros de fatos ocorridos na nossa vida, principalmente na infância, desejos e conteúdos que por alguma razão foram reprimidos e que não têm acesso ao consciente ou pré-consciente.
Os fatos inconscientes têm grande influência na direção do nosso comportamento e na direção de nossas ações. [1]Por exemplo, numa festa para o dia das mães, uma professora colocou seus alunos, oito crianças entre 2 e 3 anos, para dançar para uma platéia composta de pais, amigos e parentes dos alunos.
Das oito, quatro começaram a chorar, três ficaram paradas, olhando fixamente para a platéia, e uma dançou torcendo sua blusa. A professora, apavorada, tentou se justificar dizendo que durante o ensaio elas dançaram direitinho (ensaio só com a presença da professora, sem platéia). Estas crianças foram retiradas do palco sendo colocadas de imediato crianças de 6 anos para suas apresentações.
No final da programação, a professora resolveu colocar novamente as oito primeiras crianças para se apresentarem. As quatro que choraram se recusaram a subir no palco e as demais mantiveram o mesmo comportamento da vez anterior até que a professora desistiu da apresentação. Não sabemos o que pode ter ocorrido com essas crianças após o evento, mas, vamos imaginar que houve uma cobrança de uma pessoa que lhe é significativa, por exemplo: "Que feio, mamãe veio só para ver você dançar e você fez aquele papelão". Vinte anos depois, esta criança ao ter que apresentar um seminário ou um relatório para um grupo de pessoas, não sabe porque treme, sua ou se esquece do assunto que tem que expor.
Uma situação frustradora ocorrida há vinte anos, que foi mal resolvida, pode manifestar-se em um comportamento presente. É daí que surge a famosa afirmado de Freud que "todo o comportamento é superdeterminado", isto é, todos os nossos atos, mesmo aqueles aparentemente praticados por acaso, estão relacionados a uma série de causas das quais, freqüentemente, não temos consciência.
Grande parte dos nossos problemas que estão no inconsciente pode ser resolvida à medida que se tornam conscientes. Na maioria dos casos, parte do inconsciente vem à tona por vias indiretas, por meio da terapia. Porém, outra grande parte dos produtos do nosso inconsciente são mantidos no inconsciente. São produtos dos nossos desejos e desejos que devem permanecer como desejos e não serem realizados, pois se o forem podem terminar em tragédia.
Quantos momentos de nossas vidas, quando estamos sentindo muita raiva, não sentimos, vontade de estrangular pessoas que amamos. "Os desejos não são ordens, mas são as ordens que permitem os desejos. Não matarás dá desejo de matar, não desejarás a mulher do vizinho, não roubarás, etc. são ordens que organizam os desejos" (Goldin, 1991, p.34) que como muitos outros, não devem ser realizados. Também fazem parte do nosso inconsciente os nossos recalques, frustrações e doces momentos da infância.
[1] Exemplo extraído de: BANOV, Márcia R. Ferramentas da psicologia organizacional. São Paulo: CenaUn, 2002.
Leia também:
Princípios da personalidade ou instâncias psíquicas
Mecanismos de defesa ou ajustamento
Palavras-chave: Psicologia na administração.
Um dos grandes feitos de Freud está na descoberta do inconsciente. Nossos comportamentos considerados "incompreensíveis" ou atos aparentemente praticados sem percebermos estão ligados a uma série de fatos ocorridos no nosso passado, a maior parte deles na infância, que não temos consciência, mas que se tornam evidentes no comportamento presente. Estes fatos vêem-se trancados nas profundezas do inconsciente. Freud constrói uma teoria do aparelho psíquico que envolve três níveis de vida mental: consciente, pré-consciente e inconsciente e os três elementos (ou instâncias psíquicas) que compõem a personalidade: Id, superego e ego.
Níveis de vida mental
1) Nível Consciente
Refere-se aos eventos que estão sendo processados neste momento e deles estamos tomando conhecimento imediato. São do nosso domínio. Já que estão acontecendo agora, podemos interferir neles ou mudá-los. Por exemplo: Eu tenho o conhecimento dos pensamentos, emoções e percepções que estão sendo processados agora em minha mente enquanto estou escrevendo este post.
2) Nível Pré-consciente
Existem coisas que já aconteceram em nossas vidas e que não estão acontecendo neste momento, não podemos alterá-los porque já aconteceram, mas, são do nosso conhecimento. Sabemos da existência dos mesmos, podemos chamá-los à nossa cabeça quando quisermos ou precisarmos. Podemos recorrer a eles. Por exemplo: Podemos reviver, em certos momentos, muitas coisas que já aconteceram com a gente, nos quais não estamos continuamente pensando. É aquilo que não está na consciência agora, mas em um momento seguinte pode estar. Se neste momento iniciarmos uma conversa sobre o nosso primeiro dia de faculdade, imediatamente posso resgatar algumas coisas que ocorreram comigo neste primeiro dia.
Estes fatos, tanto os que estão agora se processando em nossa mente como aqueles que poderíamos lembrar neste momento (conscientes e pré-conscientes), são fatos do nosso domínio, do nosso conhecimento sobre a nossa vida. Temos consciência de sua realização.
3) Nível Inconsciente
É onde se encontram os registros de fatos ocorridos na nossa vida, principalmente na infância, desejos e conteúdos que por alguma razão foram reprimidos e que não têm acesso ao consciente ou pré-consciente.
Os fatos inconscientes têm grande influência na direção do nosso comportamento e na direção de nossas ações. [1]Por exemplo, numa festa para o dia das mães, uma professora colocou seus alunos, oito crianças entre 2 e 3 anos, para dançar para uma platéia composta de pais, amigos e parentes dos alunos.
Das oito, quatro começaram a chorar, três ficaram paradas, olhando fixamente para a platéia, e uma dançou torcendo sua blusa. A professora, apavorada, tentou se justificar dizendo que durante o ensaio elas dançaram direitinho (ensaio só com a presença da professora, sem platéia). Estas crianças foram retiradas do palco sendo colocadas de imediato crianças de 6 anos para suas apresentações.
No final da programação, a professora resolveu colocar novamente as oito primeiras crianças para se apresentarem. As quatro que choraram se recusaram a subir no palco e as demais mantiveram o mesmo comportamento da vez anterior até que a professora desistiu da apresentação. Não sabemos o que pode ter ocorrido com essas crianças após o evento, mas, vamos imaginar que houve uma cobrança de uma pessoa que lhe é significativa, por exemplo: "Que feio, mamãe veio só para ver você dançar e você fez aquele papelão". Vinte anos depois, esta criança ao ter que apresentar um seminário ou um relatório para um grupo de pessoas, não sabe porque treme, sua ou se esquece do assunto que tem que expor.
Uma situação frustradora ocorrida há vinte anos, que foi mal resolvida, pode manifestar-se em um comportamento presente. É daí que surge a famosa afirmado de Freud que "todo o comportamento é superdeterminado", isto é, todos os nossos atos, mesmo aqueles aparentemente praticados por acaso, estão relacionados a uma série de causas das quais, freqüentemente, não temos consciência.
Grande parte dos nossos problemas que estão no inconsciente pode ser resolvida à medida que se tornam conscientes. Na maioria dos casos, parte do inconsciente vem à tona por vias indiretas, por meio da terapia. Porém, outra grande parte dos produtos do nosso inconsciente são mantidos no inconsciente. São produtos dos nossos desejos e desejos que devem permanecer como desejos e não serem realizados, pois se o forem podem terminar em tragédia.
Quantos momentos de nossas vidas, quando estamos sentindo muita raiva, não sentimos, vontade de estrangular pessoas que amamos. "Os desejos não são ordens, mas são as ordens que permitem os desejos. Não matarás dá desejo de matar, não desejarás a mulher do vizinho, não roubarás, etc. são ordens que organizam os desejos" (Goldin, 1991, p.34) que como muitos outros, não devem ser realizados. Também fazem parte do nosso inconsciente os nossos recalques, frustrações e doces momentos da infância.
[1] Exemplo extraído de: BANOV, Márcia R. Ferramentas da psicologia organizacional. São Paulo: CenaUn, 2002.
Leia também:
Princípios da personalidade ou instâncias psíquicas
Mecanismos de defesa ou ajustamento
Palavras-chave: Psicologia na administração.
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