Kant
Para Kant formamos concepções do mundo pela experiência sensorial moldada pela nossa forma de ver as coisas. Seu princípio fundamental: Existe a matéria do conhecimento (a coisa em si, a priori) e a forma de conhecimento (a coisa para nós, a posteriori). Seu método era dar devida importância aos sentidos (matéria do conhecimento) e à razão (forma de conhecimento).
A função dos sentidos para Kant é a de ter um papel igual ao da razão no conhecimento, pois as sensações ajustam-se às formas de intuição. E o pensamento é uma instancia que se exerce para determinar nossa percepção de mundo.
Hegel - Espírito humano, história, cultura.
É possível conhecer no ser o espírito humano (cultura humana) manifestada na história – “Weltgeist”. Tem como princípio fundamental que o homem é a razão do mundo, todo conhecimento é conhecimento humano.
Utilizava a dialética histórica como método. Tese, antítese, síntese = tese, antítese, síntese.
A função do sentido é realimentar parte do processo de conhecimento e o pensamento tem como função realimentar a cultura, formulando novas antíteses e novas sínteses.
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Resumo: Filosofos / Pensadores Barrocos
Bacon - Ídolos
Para Bacon no ‘Ser’ é possível conhecer a verdade, desde que se superem os erros que levam os ídolos (sentidos e pensamento) a formarem opiniões preconceituosas. Os ídolos nos levarem a formar opiniões erradas sobre as coisas é seu princípio fundamental. Utilizava o método chamado de ‘crítica dos ídolos’ – questionamento dos ídolos da caverna, fórum, teatro e tribo.
Os sentidos eram os ‘ídolos da caverna’ e podem nos enganar. Os pensamentos eram os ‘ídolos do teatro, fórum e tribo’ que também podem nos enganar, porém a razão pode desenvolver as ciências e a filosofia.
Descartes - Pensamento
Para Descartes no ‘Ser’ se pode conhecer nada ou tudo, depende do método e do uso da razão. Seu princípio fundamental é crer que a razão nos oferece conhecimento seguro. O racionalismo.
Utilizava o método filosófico o qual foi desenvolvido por ele mesmo, com base no método matemático = Dúvida metódica. DUVIDAR DE TUDO!
Acreditava que os sentidos não são confiáveis, não se pode confiar no que eles transmitem, pois podemos ser enganados por eles. Já o pensamento era a prova da existência e da possibilidade de conhecimento.
Você já deve ter ouvido a frase: “Penso, logo existo!”
Locke - Sentidos
O ‘Ser’ é tudo que os sentidos podem nos transmitir. Seu princípio fundamental era a ‘tabula-rasa’ – não temos idéias ou concepções inatas sobre o mundo.
Seu método era a relação sujeito=objeto=empirismo. Transformai idéias simples (qualidades primarias) em idéias reflexivas (qualidades secundárias).
Para Locke os sentidos são a porta de entrada de tudo, não há nada na consciência que não tenha estado primeiro nos sentidos. E os pensamentos são apenas o reflexo do que já passou pelo sentido, tabula-rasa.
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Para Bacon no ‘Ser’ é possível conhecer a verdade, desde que se superem os erros que levam os ídolos (sentidos e pensamento) a formarem opiniões preconceituosas. Os ídolos nos levarem a formar opiniões erradas sobre as coisas é seu princípio fundamental. Utilizava o método chamado de ‘crítica dos ídolos’ – questionamento dos ídolos da caverna, fórum, teatro e tribo.
Os sentidos eram os ‘ídolos da caverna’ e podem nos enganar. Os pensamentos eram os ‘ídolos do teatro, fórum e tribo’ que também podem nos enganar, porém a razão pode desenvolver as ciências e a filosofia.
Descartes - Pensamento
Para Descartes no ‘Ser’ se pode conhecer nada ou tudo, depende do método e do uso da razão. Seu princípio fundamental é crer que a razão nos oferece conhecimento seguro. O racionalismo.
Utilizava o método filosófico o qual foi desenvolvido por ele mesmo, com base no método matemático = Dúvida metódica. DUVIDAR DE TUDO!
Acreditava que os sentidos não são confiáveis, não se pode confiar no que eles transmitem, pois podemos ser enganados por eles. Já o pensamento era a prova da existência e da possibilidade de conhecimento.
Você já deve ter ouvido a frase: “Penso, logo existo!”
Locke - Sentidos
O ‘Ser’ é tudo que os sentidos podem nos transmitir. Seu princípio fundamental era a ‘tabula-rasa’ – não temos idéias ou concepções inatas sobre o mundo.
Seu método era a relação sujeito=objeto=empirismo. Transformai idéias simples (qualidades primarias) em idéias reflexivas (qualidades secundárias).
Para Locke os sentidos são a porta de entrada de tudo, não há nada na consciência que não tenha estado primeiro nos sentidos. E os pensamentos são apenas o reflexo do que já passou pelo sentido, tabula-rasa.
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Resumo: Filosofos / Pensadores do Renasciemento
Galileu Galilei - Antropocentrismo
Com a chegada de renascimento Galileu “mata” Deus. Acreditava que se devia conher a natureza para intervir nela e dominá-la.
Tinha como princípio fundamental o Antropocentrismo (homem como centro do conhecimento), a natureza é regida por leis que o homem pode conhecer. Utilizava o método científico (observação, experiência e experimentação), método empírico.
A função dos sentidos para Galileu é investigar a natureza, e dos pensamentos, conhecer e formular as leia da natureza.
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Com a chegada de renascimento Galileu “mata” Deus. Acreditava que se devia conher a natureza para intervir nela e dominá-la.
Tinha como princípio fundamental o Antropocentrismo (homem como centro do conhecimento), a natureza é regida por leis que o homem pode conhecer. Utilizava o método científico (observação, experiência e experimentação), método empírico.
A função dos sentidos para Galileu é investigar a natureza, e dos pensamentos, conhecer e formular as leia da natureza.
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Resumo: Filosofos / Pensadores da Idade Média/Cristianismo
Santo Agostinho
Acreditava que o ‘Ser’ é possível conhecer a verdade. E essa verdade são as idéias que estão na cabeça de Deus. Seu princípio fundamental é que as verdades são reveladas apenas por Deus pela fé, teocentrismo, Deus como centro do conhecimento. Utilizava o método da fé, que é a graça de Deus aos que se aproximam dele pela prática do bem (quem pratica o mal se afasta dele).
Para St. Agostinho o sentido é a morada do pecado e afastam da graça de Deus, já os pensamentos é a morada da razão que deve submeter-se (por livre arbítrio) à graça da fé.
São Tomás de Aquino
Assim como St. Agostinho acreditava que se podia chegar à verdade pela fé, que sendo fiel a Deus, ele as revelaria. Mas também cria que Deus revelou suas verdades na natureza.
O princípio fundamental de São Tomás era que para se conhecer é necessário possuir fé e razão, pois essas são faces da uma mesma moeda. Utilizava o método da Dialética Fé/Razão, sendo a fé mais confiável que a razão.
Os sentidos para São Tomás tinham a importante função de ver na natureza as verdades teológicas naturais reveladas por Deus. E o pensamento é o lugar em que a razão e a fé elaboram a síntese dessas verdades reveladas.
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Acreditava que o ‘Ser’ é possível conhecer a verdade. E essa verdade são as idéias que estão na cabeça de Deus. Seu princípio fundamental é que as verdades são reveladas apenas por Deus pela fé, teocentrismo, Deus como centro do conhecimento. Utilizava o método da fé, que é a graça de Deus aos que se aproximam dele pela prática do bem (quem pratica o mal se afasta dele).
Para St. Agostinho o sentido é a morada do pecado e afastam da graça de Deus, já os pensamentos é a morada da razão que deve submeter-se (por livre arbítrio) à graça da fé.
São Tomás de Aquino
Assim como St. Agostinho acreditava que se podia chegar à verdade pela fé, que sendo fiel a Deus, ele as revelaria. Mas também cria que Deus revelou suas verdades na natureza.
O princípio fundamental de São Tomás era que para se conhecer é necessário possuir fé e razão, pois essas são faces da uma mesma moeda. Utilizava o método da Dialética Fé/Razão, sendo a fé mais confiável que a razão.
Os sentidos para São Tomás tinham a importante função de ver na natureza as verdades teológicas naturais reveladas por Deus. E o pensamento é o lugar em que a razão e a fé elaboram a síntese dessas verdades reveladas.
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Resumo: Filosofos / Pensadores: Sócrates, Platão e Aristóteles
Sócrates - Razão
Sócrates acreditava que no ‘Ser’ era possível conhecer a verdade. “Só sei que nada sei...” sua famosa frase leva ao seu princípio fundamental: “... mas posso conhecer pela RAZÃO”. Utilizava o método da maiêutica ou parto das idéias. Dialogo racional, questionamento. Uso da Razão.
Para ele os sentidos serviam para conhecer aparências da realidade do ‘Ser’. Os pensamentos são a morada da razão e tem como função conhecer a essência (verdade) do ser.
Platão - Mundo das Idéias
Discípulo de Sócrates acreditava que no ‘Ser’ se pode conhecer a idéia de ser. Seu princípio fundamental era o mundo das idéias e a perfeição desse mundo. Utilizar a razão para alcançar as verdades no mundo das idéias.
Para Platão a função dos sentidos é alcançar a mera aparência das coisas e já o pensamento alcançar a essência das coisas, as idéias.
Aristóteles - Perfeição da Natureza
Para Aristóteles pode-se conhecer a forma e a substância do ‘Ser’. A perfeição da natureza é seu princípio fundamental, forma e substância, ato e potência. Utilizava como métodos a razão realista, o silogismo, a lógica formal e a busca pela verdade na natureza.
O sentido serve para alimentar o pensamento com informações sobre as coisas e o pensamento elaborar o conhecimento sobre essas coisas.
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Sócrates acreditava que no ‘Ser’ era possível conhecer a verdade. “Só sei que nada sei...” sua famosa frase leva ao seu princípio fundamental: “... mas posso conhecer pela RAZÃO”. Utilizava o método da maiêutica ou parto das idéias. Dialogo racional, questionamento. Uso da Razão.
Para ele os sentidos serviam para conhecer aparências da realidade do ‘Ser’. Os pensamentos são a morada da razão e tem como função conhecer a essência (verdade) do ser.
Platão - Mundo das Idéias
Discípulo de Sócrates acreditava que no ‘Ser’ se pode conhecer a idéia de ser. Seu princípio fundamental era o mundo das idéias e a perfeição desse mundo. Utilizar a razão para alcançar as verdades no mundo das idéias.
Para Platão a função dos sentidos é alcançar a mera aparência das coisas e já o pensamento alcançar a essência das coisas, as idéias.
Aristóteles - Perfeição da Natureza
Para Aristóteles pode-se conhecer a forma e a substância do ‘Ser’. A perfeição da natureza é seu princípio fundamental, forma e substância, ato e potência. Utilizava como métodos a razão realista, o silogismo, a lógica formal e a busca pela verdade na natureza.
O sentido serve para alimentar o pensamento com informações sobre as coisas e o pensamento elaborar o conhecimento sobre essas coisas.
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Resumo: Filosofos / Pensadores Pré-socráticos
Heráclito - Mudança Contínua.
No Ser é possível conhecer o que muda. O fluxo perpétuo. O movimento.
Heráclito tinha como principio fundamental a contradição: “O ser é o ser e o não ser” a harmonia dos contrários.
Para ele os sentidos têm como função oferecer imagens de estabilidade, o que parece ser. Já os pensamentos servem para alcançar a verdade que é a mudança contínua.
Parmênides - Nada muda.
Parmênides possui idéias opostas a Heráclito, para ele o ‘Ser’ é o imutável, tudo será sempre idêntico.
Tem como principio fundamental o principio da identidade: “O ser é, o não ser não é”. Utiliza como método a lógica formal.
Para esse pré-socrático os sentidos permitem a percepção de mudanças impensáveis. E os pensamentos servem para pensar identidades imutáveis.
Demócrito - Tudo é átomo.
Demócrito cria que no ‘Ser’ poderíamos conhecer os átomos e suas combinações e arranjos. “Todo o ser é átomo” seu principio fundamental era o principio do atomismo. Tal como Parmênides utilizava a lógica formal como método.
Os sentidos percebiam os arranjos e as combinações do átomo. E o pensamento, pensar: os átomos que compõem os seres.
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No Ser é possível conhecer o que muda. O fluxo perpétuo. O movimento.
Heráclito tinha como principio fundamental a contradição: “O ser é o ser e o não ser” a harmonia dos contrários.
Para ele os sentidos têm como função oferecer imagens de estabilidade, o que parece ser. Já os pensamentos servem para alcançar a verdade que é a mudança contínua.
Parmênides - Nada muda.
Parmênides possui idéias opostas a Heráclito, para ele o ‘Ser’ é o imutável, tudo será sempre idêntico.
Tem como principio fundamental o principio da identidade: “O ser é, o não ser não é”. Utiliza como método a lógica formal.
Para esse pré-socrático os sentidos permitem a percepção de mudanças impensáveis. E os pensamentos servem para pensar identidades imutáveis.
Demócrito - Tudo é átomo.
Demócrito cria que no ‘Ser’ poderíamos conhecer os átomos e suas combinações e arranjos. “Todo o ser é átomo” seu principio fundamental era o principio do atomismo. Tal como Parmênides utilizava a lógica formal como método.
Os sentidos percebiam os arranjos e as combinações do átomo. E o pensamento, pensar: os átomos que compõem os seres.
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Resumo dos Principais Filósofos.
Filosofos / Pensadores Pré-socráticos
Filosofos / Pensadores da Idade Média/Cristianismo
Filosofos / Pensadores do Renascimento
Filosofos / Pensadores Barrocos
Filosofos / Pensadores do Iluminismo
Aristóteles
Aristóteles pertenceu à Academia de Platão. Não era ateniense, mas da cidade de Estagira, e filho de um médico/cientista. Sua formação e seu interesse pela natureza fizeram com que divergisse do mestre Platão (que não se preocupou muito com o mundo dos sentidos), procurando ser também um estudioso da natureza viva e de seus processos de mudanças e evolução.
Aristóteles é considerado como aquele que, na cultura grega, organizou, sistematizou e ordenou as várias ciências.
Ele dizia que as idéias não nascem conosco, elas se formam em nós com base nas experiências que temos na vida. Por exemplo: para Platão, existe primeiro a idéia de cavalo (razão) da qual cada cavalo que vemos é uma cópia. Para Aristóteles, existia a forma do cavalo, derivada daquilo que chamamos de espécie, classificação que fazemos pelos sentidos. Para ele, a realidade está em percebermos ou sentirmos tudo o que está a nossa frente e, com base nisso, elaborarmos nossa visão de mundo.
Pensava ele que todas as nossas idéias e todos os nossos pensamentos tinham entrado em nossa consciência através do que víamos ou ouvíamos. Mas acreditava que temos uma razão inata – temos a capacidade de ordenar em diferentes grupos e classes todas as nossas impressões sensoriais. Somos capazes de criar conceitos e classificá-los, por exemplo, em animal, vegetal ou mineral.
Aristóteles era um homem meticuloso e queria encontrar ou explicar racionalmente os acontecimentos dos fenômenos da natureza. Para ele, era importante ficar claro como nossos sentidos captam as formas das coisas. Tomando o exemplo de uma árvore, ele dizia que existe a forma da árvore, captada pelos nossos sentidos. Mas também existe uma substância, que é aquilo que faz com que a árvore seja árvore. Na semente, a substância da árvore já está presente, mas ela deve atualizar aquilo que ainda é uma possibilidade, germinando, crescendo e transformando-se em árvore. O movimento que ocorre na natureza, segundo ele, é uma transformação nas formas que, pela atualização da substância, faz com que uma possibilidade se torne realidade. Se percebermos as formas pelos sentidos, a substância só pode ser
encontrada pela razão.
Percebemos que, no pensamento de Aristóteles, existe um esforço de ordenação. Ele estabeleceu uma certa ordem lógica na classificação do mundo da natureza e afirmou que, para chegar a certas conclusões sobre ela, era preciso estabelecer certos princípios. Por exemplo: todas as criaturas vivas são mortais. O homem é um ser vivo. Portanto, todo homem é mortal. Essa é a forma do que ele chamou de silogismo, é a lógica formal sistematizada por Aristóteles é a que rege nosso pensamento até hoje.
No pensamento de Aristóteles, encontramos também uma preocupação com a organização da sociedade (política) e também com a forma que cada indivíduo dá para sua própria vida particular. Talvez ele tenha sido o primeiro filósofo da Antiguidade a falar em ética com uma preocupação central em relação à vida humana.
A vida humana se diferencia da dos animais porque se manifesta com intencionalidade, vontade e desejo de ser feliz. Aristóteles acreditava em três formas de felicidade: a primeira é uma vida de prazeres e satisfações; a segunda é uma vida de cidadão livre e responsável; e a terceira é viver como pesquisador e filósofo. E essas três formas só se sustentam se realmente forem integradas entre si. Ou seja, é preciso buscar um equilíbrio corporal, espiritual e social para que a vida humana se realize como expressão da felicidade.
Dentro dessa preocupação com a vida e suas buscas de realização, Aristóteles procurou expressar uma visão de sociedade que permitisse o convívio harmônico dos seres humanos. Como não podemos viver somente segundo nossas intenções, é preciso organizar a sociedade de forma que ela nos auxilie a viver melhor. E a forma mais elevada do convívio humano, segundo Aristóteles, só pode ser o Estado.
Para Aristóteles, existem três formas puras de governar o Estado: a monarquia (ou governo de um só), a aristocracia (ou governo dos melhores) e a democracia (ou governo realizado por um grande número de cidadãos). Segundo ele, essas três formas só são válidas e justas se encontrarem um verdadeiro sentido de organização dos cidadãos, em que necessidades básicas como comida, trabalho, educação e família sejam colocadas no plano de convívio humano e de satisfação das nossas necessidades vitais de existência, visando a promoção do bem de todos.
Diferente de Platão, Aristóteles escrevia na forma dissertativa, procurando argumentar segundo as leis da lógica, inaugurando a forma pela qual a escrita filosófica seria conhecida ao longo dos séculos.
Veja também: Platão, Sócrates
Aristóteles é considerado como aquele que, na cultura grega, organizou, sistematizou e ordenou as várias ciências.
Ele dizia que as idéias não nascem conosco, elas se formam em nós com base nas experiências que temos na vida. Por exemplo: para Platão, existe primeiro a idéia de cavalo (razão) da qual cada cavalo que vemos é uma cópia. Para Aristóteles, existia a forma do cavalo, derivada daquilo que chamamos de espécie, classificação que fazemos pelos sentidos. Para ele, a realidade está em percebermos ou sentirmos tudo o que está a nossa frente e, com base nisso, elaborarmos nossa visão de mundo.
Pensava ele que todas as nossas idéias e todos os nossos pensamentos tinham entrado em nossa consciência através do que víamos ou ouvíamos. Mas acreditava que temos uma razão inata – temos a capacidade de ordenar em diferentes grupos e classes todas as nossas impressões sensoriais. Somos capazes de criar conceitos e classificá-los, por exemplo, em animal, vegetal ou mineral.
Aristóteles era um homem meticuloso e queria encontrar ou explicar racionalmente os acontecimentos dos fenômenos da natureza. Para ele, era importante ficar claro como nossos sentidos captam as formas das coisas. Tomando o exemplo de uma árvore, ele dizia que existe a forma da árvore, captada pelos nossos sentidos. Mas também existe uma substância, que é aquilo que faz com que a árvore seja árvore. Na semente, a substância da árvore já está presente, mas ela deve atualizar aquilo que ainda é uma possibilidade, germinando, crescendo e transformando-se em árvore. O movimento que ocorre na natureza, segundo ele, é uma transformação nas formas que, pela atualização da substância, faz com que uma possibilidade se torne realidade. Se percebermos as formas pelos sentidos, a substância só pode ser
encontrada pela razão.
Percebemos que, no pensamento de Aristóteles, existe um esforço de ordenação. Ele estabeleceu uma certa ordem lógica na classificação do mundo da natureza e afirmou que, para chegar a certas conclusões sobre ela, era preciso estabelecer certos princípios. Por exemplo: todas as criaturas vivas são mortais. O homem é um ser vivo. Portanto, todo homem é mortal. Essa é a forma do que ele chamou de silogismo, é a lógica formal sistematizada por Aristóteles é a que rege nosso pensamento até hoje.
No pensamento de Aristóteles, encontramos também uma preocupação com a organização da sociedade (política) e também com a forma que cada indivíduo dá para sua própria vida particular. Talvez ele tenha sido o primeiro filósofo da Antiguidade a falar em ética com uma preocupação central em relação à vida humana.
A vida humana se diferencia da dos animais porque se manifesta com intencionalidade, vontade e desejo de ser feliz. Aristóteles acreditava em três formas de felicidade: a primeira é uma vida de prazeres e satisfações; a segunda é uma vida de cidadão livre e responsável; e a terceira é viver como pesquisador e filósofo. E essas três formas só se sustentam se realmente forem integradas entre si. Ou seja, é preciso buscar um equilíbrio corporal, espiritual e social para que a vida humana se realize como expressão da felicidade.
Dentro dessa preocupação com a vida e suas buscas de realização, Aristóteles procurou expressar uma visão de sociedade que permitisse o convívio harmônico dos seres humanos. Como não podemos viver somente segundo nossas intenções, é preciso organizar a sociedade de forma que ela nos auxilie a viver melhor. E a forma mais elevada do convívio humano, segundo Aristóteles, só pode ser o Estado.
Para Aristóteles, existem três formas puras de governar o Estado: a monarquia (ou governo de um só), a aristocracia (ou governo dos melhores) e a democracia (ou governo realizado por um grande número de cidadãos). Segundo ele, essas três formas só são válidas e justas se encontrarem um verdadeiro sentido de organização dos cidadãos, em que necessidades básicas como comida, trabalho, educação e família sejam colocadas no plano de convívio humano e de satisfação das nossas necessidades vitais de existência, visando a promoção do bem de todos.
Diferente de Platão, Aristóteles escrevia na forma dissertativa, procurando argumentar segundo as leis da lógica, inaugurando a forma pela qual a escrita filosófica seria conhecida ao longo dos séculos.
Veja também: Platão, Sócrates
Platão
Platão foi discípulo de Sócrates e também cidadão ateniense. Era uma pessoa de família rica, culta, inteligente e produziu discursos e várias obras filosóficas. Destacou-se após a publicação do discurso em defesa de Sócrates, que havia bebido o cálice de cicuta, a pena de morte vigente em Atenas.
Á escola que fundou em Atenas, ele deu o nome de Academia. Nessa escola ensinava-se filosofia, matemática e ginástica. E também utilizava-se o método dialógico criado por Sócrates, pois Platão o considerava seguro e importante para o desenvolvimento da filosofia.
A preocupação central de Platão consistia em perceber a relação entre aquilo que, de um lado, é eterno e imutável, e aquilo que, de outro, flui, ou seja, movimenta-se. Concluiu que aquilo que é eterno e imutável está no plano ideal, racional, espiritual. Está naquilo que ele chamou de mundo das idéias. Já aquilo que flui pertence ao mundo dos sentidos, dos acontecimentos, e é feito de um material sujeito à corrosão do tempo.
De fato, essa preocupação de Platão aparece porque ele estava querendo provar a existência do conhecimento verdadeiro. Partiu da constatação de que tudo aquilo que sabemos, temos acesso ou pelos sentidos (visão, audição, tato, paladar, olfato) ou pelo pensamento, pela razão. Qual dos dois seria o mais confiável? O conhecimento sensível era o do mundo dos sentidos, que flui e se transforma; portanto, é um conhecimento transitório. Já as idéias só podem ser conhecidas pelo pensamento; nós não conseguimos ter uma percepção sensível de uma idéia (vê-la, cheirá-la etc.), mas o mundo das idéias é o mundo da perfeição, aquele que é eterno. Então, ele chegou à conclusão de que o verdadeiro conhecimento é o das idéias, e não o dos sentidos, que são apenas aparências.
Mas o verdadeiro conhecimento não pode desprezar o mundo dos sentidos; só com base nele é que podemos chegar nas idéias. Portanto, era preciso partir do mundo dos sentidos, compreender como ele se manifesta na realidade e formular uma idéia sólida para chegar a um conhecimento que não nos traga dúvidas, do qual possamos estar seguros.
A razão é eterna e imutável, pois emite juízos daquilo que só se manifesta sobre dados que são eternos e universais, levando-nos a idéias verdadeiras, ao passo que as opiniões e os sentidos podem nos dar idéias falsas sobre o que sentimos e percebemos, pois estão baseados na transitoriedade.
Essa divisão entre dois mundos é a marca da filosofia de Platão, aparecendo também em sua visão do homem, separando o corpo da alma. Para ele, o espírito ou a alma é intelectiva (racional) e superior. O corpo é irracional (sensível) e inferior. O corpo, com suas inclinações e paixões, contamina a pureza da alma racional, impedindo-a de contemplar as idéias perfeitas e eternas. Como nossos sentidos estão ligados ao corpo, não são totalmente confiáveis. Confiável é a alma imortal, onde existe a morada da razão. E porque a alma não é material, ela pode ter acesso ao mundo das idéias.
Mas Platão dava um papel importante aos exercícios físicos, atribuindo a eles a qualidade de vivificar a alma e permitir a sua concentração na contemplação das idéias. Ele mesmo era um atleta (seu verdadeiro nome era Arístocles, mas recebeu o apelido de Platão que, em grego, significa “ombros largos”) e acreditava que a ginástica e a música permitem a superioridade do espírito sobre o corpo. Assim, a alma só pode desenvolver-se com um corpo forte e saudável; ao contrário, a fraqueza física torna-se um empecilho à vida superior do espírito.
Platão defendia a existência de um mundo ideal, perfeito e imutável. No nosso mundo sensível, tudo deveria buscar o modelo dessa perfeição. E para isso, era preciso encontrar, também para a sociedade, um modelo que privilegiasse esse raciocínio. Baseando-se nisso, ele imaginou um Estado constituído como o corpo humano.
Segundo ele, o corpo humano consistia em três partes: cabeça, peito e baixo-ventre. A razão pertence à cabeça, a vontade ao peito e o desejo ao baixo-ventre. A razão deve inspirar sabedoria, a vontade deve mostrar coragem e os desejos devem ser controlados. Para existir uma perfeição social, a organização da sociedade deve ser de acordo com a classificação do corpo humano: governantes (cabeça), soldados (peito) e trabalhadores em geral (baixo-ventre).
Só podem governar a sociedade aqueles que têm a possibilidade do pleno uso da razão, pois só eles podem compreender a idéia de Justiça e dirigir os demais segundo ela. E nesse caso, quem tem o pleno exercício da razão, segundo Platão, é o filósofo. É por isso que, para ele, ou os filósofos tornavam-se reis, ou os reis deveriam tornar-se filósofos.
Platão inventou uma forma de fazer filosofia: pegou emprestado de Sócrates o método da conversa, do diálogo para expressar suas idéias. Mas, diferente do seu mestre, não ficava pelas ruas conversando com as pessoas; pensava e tentava chegar a idéias cada vez mais perfeitas. Para comunicar aos outros essas idéias, escrevia na forma de diálogos, com vários personagens conversando entre si e defendendo idéias diferentes.
Na imensa maioria de suas obras, Sócrates era a personagem principal, na boca da qual Platão colocava as idéias que pretendia demonstrar.
Veja também: Sócrates, Aristóteles
Á escola que fundou em Atenas, ele deu o nome de Academia. Nessa escola ensinava-se filosofia, matemática e ginástica. E também utilizava-se o método dialógico criado por Sócrates, pois Platão o considerava seguro e importante para o desenvolvimento da filosofia.
A preocupação central de Platão consistia em perceber a relação entre aquilo que, de um lado, é eterno e imutável, e aquilo que, de outro, flui, ou seja, movimenta-se. Concluiu que aquilo que é eterno e imutável está no plano ideal, racional, espiritual. Está naquilo que ele chamou de mundo das idéias. Já aquilo que flui pertence ao mundo dos sentidos, dos acontecimentos, e é feito de um material sujeito à corrosão do tempo.
De fato, essa preocupação de Platão aparece porque ele estava querendo provar a existência do conhecimento verdadeiro. Partiu da constatação de que tudo aquilo que sabemos, temos acesso ou pelos sentidos (visão, audição, tato, paladar, olfato) ou pelo pensamento, pela razão. Qual dos dois seria o mais confiável? O conhecimento sensível era o do mundo dos sentidos, que flui e se transforma; portanto, é um conhecimento transitório. Já as idéias só podem ser conhecidas pelo pensamento; nós não conseguimos ter uma percepção sensível de uma idéia (vê-la, cheirá-la etc.), mas o mundo das idéias é o mundo da perfeição, aquele que é eterno. Então, ele chegou à conclusão de que o verdadeiro conhecimento é o das idéias, e não o dos sentidos, que são apenas aparências.
Mas o verdadeiro conhecimento não pode desprezar o mundo dos sentidos; só com base nele é que podemos chegar nas idéias. Portanto, era preciso partir do mundo dos sentidos, compreender como ele se manifesta na realidade e formular uma idéia sólida para chegar a um conhecimento que não nos traga dúvidas, do qual possamos estar seguros.
A razão é eterna e imutável, pois emite juízos daquilo que só se manifesta sobre dados que são eternos e universais, levando-nos a idéias verdadeiras, ao passo que as opiniões e os sentidos podem nos dar idéias falsas sobre o que sentimos e percebemos, pois estão baseados na transitoriedade.
Essa divisão entre dois mundos é a marca da filosofia de Platão, aparecendo também em sua visão do homem, separando o corpo da alma. Para ele, o espírito ou a alma é intelectiva (racional) e superior. O corpo é irracional (sensível) e inferior. O corpo, com suas inclinações e paixões, contamina a pureza da alma racional, impedindo-a de contemplar as idéias perfeitas e eternas. Como nossos sentidos estão ligados ao corpo, não são totalmente confiáveis. Confiável é a alma imortal, onde existe a morada da razão. E porque a alma não é material, ela pode ter acesso ao mundo das idéias.
Mas Platão dava um papel importante aos exercícios físicos, atribuindo a eles a qualidade de vivificar a alma e permitir a sua concentração na contemplação das idéias. Ele mesmo era um atleta (seu verdadeiro nome era Arístocles, mas recebeu o apelido de Platão que, em grego, significa “ombros largos”) e acreditava que a ginástica e a música permitem a superioridade do espírito sobre o corpo. Assim, a alma só pode desenvolver-se com um corpo forte e saudável; ao contrário, a fraqueza física torna-se um empecilho à vida superior do espírito.
Platão defendia a existência de um mundo ideal, perfeito e imutável. No nosso mundo sensível, tudo deveria buscar o modelo dessa perfeição. E para isso, era preciso encontrar, também para a sociedade, um modelo que privilegiasse esse raciocínio. Baseando-se nisso, ele imaginou um Estado constituído como o corpo humano.
Segundo ele, o corpo humano consistia em três partes: cabeça, peito e baixo-ventre. A razão pertence à cabeça, a vontade ao peito e o desejo ao baixo-ventre. A razão deve inspirar sabedoria, a vontade deve mostrar coragem e os desejos devem ser controlados. Para existir uma perfeição social, a organização da sociedade deve ser de acordo com a classificação do corpo humano: governantes (cabeça), soldados (peito) e trabalhadores em geral (baixo-ventre).
Só podem governar a sociedade aqueles que têm a possibilidade do pleno uso da razão, pois só eles podem compreender a idéia de Justiça e dirigir os demais segundo ela. E nesse caso, quem tem o pleno exercício da razão, segundo Platão, é o filósofo. É por isso que, para ele, ou os filósofos tornavam-se reis, ou os reis deveriam tornar-se filósofos.
Platão inventou uma forma de fazer filosofia: pegou emprestado de Sócrates o método da conversa, do diálogo para expressar suas idéias. Mas, diferente do seu mestre, não ficava pelas ruas conversando com as pessoas; pensava e tentava chegar a idéias cada vez mais perfeitas. Para comunicar aos outros essas idéias, escrevia na forma de diálogos, com vários personagens conversando entre si e defendendo idéias diferentes.
Na imensa maioria de suas obras, Sócrates era a personagem principal, na boca da qual Platão colocava as idéias que pretendia demonstrar.
Veja também: Sócrates, Aristóteles
Sócrates
A figura de maior destaque da filosofia grega clássica foi Sócrates. Ele nada escreveu, mas andava pelas ruas de Atenas conversando com as pessoas. Gostava de interrogá-las sobre suas crenças, levando-as a perceber o quão transitórias elas eram. Buscava um conhecimento mais elaborado, mas, quanto mais conhecia, mais tinha consciência de que sabia muito pouco. Por assumir humildemente uma posição de ignorância, foi declarado pelo Oráculo de Delfos como o homem mais sábio do mundo.
Vivenciando as experiências do dia-a-dia e tentando questionar sempre os acontecimentos da cidade e as relações entre as pessoas, Sócrates, atento ao caminho da perfeição, inquietava os cidadãos atenienses com a magia da arte do diálogo. Ele nos ensinou que a atividade de filosofar não se distingue do próprio ato de viver, que o ato de filosofar consiste em conscientizar-nos de que nada sabemos. Nas suas conversas na praça do mercado de Atenas, ele não queria ensinar, mas aprender com as pessoas. Nesse diálogo, ambos aprendiam.
Sócrates conversava com as pessoas e freqüentemente fazia perguntas. Levava seus interlocutores a ver os pontos fracos de suas próprias reflexões. Com base nisso, permitia que a outra pessoa chegasse a suas próprias conclusões. Na verdade, Sócrates dialogava com as pessoas forçando-as a usar a razão.
Ele mergulhou no saber. Procurou compreender os conflitos da cidade, das gerações, dos costumes e, a partir daí, mergulhou num constante exercício de vida, no confronto diário com as contradições do saber.
Sócrates sabia muito bem que nada sabia sobre a vida e o mundo. E que isso era um ponto de partida para chegar à verdade. Ele próprio dizia que a única coisa que sabia era que não sabia nada. “Eu só sei que nada sei” era seu conhecido lema.
Essa posição o confrontava com os sofistas, que geralmente se satisfaziam com respostas prontas e acabadas. Para Sócrates os questionamentos são mais importantes e perigosos. Uma única pergunta pode ser mais importante do que várias respostas. Responder não é perigoso.
Ele acreditava que o conhecimento do que é certo leva ao agir correto. Por isso é tão importante ampliar nossos conhecimentos. E ele estava preocupado em encontrar definições claras e válidas para o que é certo e o que é errado, afirmando que essa capacidade de distinguir o certo e o errado estava na razão. Só assim, agindo de acordo com a razão, pensava ele, as pessoas poderiam ser de fato felizes: não uma felicidade baseada nhás aparências, mas uma felicidade real, daquele que também busca fazer os outros felizes.
Mas os questionamentos de Sócrates despertaram o ódio de muitos atenienses, perturbados em suas “certezas” e vendo ruir seu mundinho bem construído. Com mais de 70 anos de idade, ele foi preso, julgado e condenado à morte, acusado de não acreditar nos deuses da cidade e de corromper as jovens. Os atenienses quiseram dar uma lição à filosofia, tentando fugir do incômodo causado por ela.
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A Filosofia e o Conhecimento
A primeira coisa que nos vem à cabeça quando tentamos definir a filosofia é a de buscar uma razão para sua existência. E como não queremos defini-la e nem de localizar precisamente a sua origem, preferimos dizer que a filosofia nada mais é que o “ato de filosofar” e, com base nisso, compreender o homem como um ser situado numa época que se sente perplexo com a realidade vivida e começa a se perguntar sobre tal realidade, buscando uma razão fundamental para tudo o que existe.
O melhor meio de se aproximar da filosofia é perguntar. Só que não são perguntas/questões. São perguntas/problemas. Como se formou o mundo? Haverá uma vontade ou um sentido por detrás daquilo que acontece? Haverá vida depois da morte? Como podemos encontrar resposta para estas perguntas? E, acima de tudo, como deveríamos viver? São perguntas de para reflexão, ou seja, o pensamento dentro de uma ação humana que permite uma tomada de atitude dos homens diante dos acontecimentos da vida.
Reflexão vem da expressão latina reflectere, que significa “voltar atrás”. Ou seja, um repensar detidamente, prestar atenção, analisar com cuidado e interrogar-se sempre sobre as opiniões, as impressões, os conhecimentos técnico-científicos e o próprio sentido da filosofia.
É difícil saber o instante exato em que se inicia a atividade filosófica na história, ou quando as perguntas/problemas começam a ser feitas pelas pessoas em suas épocas. Para isso, precisaríamos saber em que momento o homem começou a questionar-se sobre si mesmo, sobre os outros homens, sobre o mundo em que vive. Teríamos de determinar quando e por que o homem começou a pensar mais seriamente, mais profundamente sobre determinados fenômenos que perturbavam sua existência. É claro que muitas explicações foram criadas para os fenômenos naturais que incomodavam os seres humanos; mas, em certo momento, alguns começam a duvidar dessas explicações.
A partir da dúvida, o ato de filosofar ganha proporções importantes, pois, percebendo as contradições existentes nas diversas explicações dos acontecimentos do mundo, o homem passou a questioná-las, a pô-las em xeque, e a buscar respostar mais coerentes, mais concretas para suas interrogações.
A primeira experiência com o “ato de filosofar” de que temos conhecimento deu-se na Grécia Antiga. Com o nascimento da polis, as cidades-Estado gregas passam a expandir poder político, econômico e cultural para outras civilizações, o que permitiu o desenvolvimento de aspectos importantes da cultura, das formas de governo, da participação popular, influenciando o desenvolvimento intelectual e permitindo que surgissem os problemas reais sobre a existência do universo. É aí que aparece a figura do filósofo, ou seja, um “amante da sabedoria”, alguém cujo objetivo é chegar à sabedoria. É por isso que o pesquisador Jean-Pierre Vernant afirmou que “a filosofia é filha da cidade”.
O filósofo procura desvendar o saber. Não um saber pronto e acabado, mas um saber que experiencía o não saber, que faz o movimento da ignorância ao saber. Aquele que busca conhecer alguma coisa, que está sempre à procura de respostas e da constante superação dessas respostas, pois, sempre que chegamos a uma resposta, ela nos desperta para inúmeras outras perguntas. Por isso, definimos anteriormente a pergunta filosófica como uma pergunta/problema.
O ato de filosofar começou a surtir efeito naquelas comunidades primitivas que freqüentemente recorria a mitos para explicar os fenômenos não compreendidos. O mito, em geral, era – e é até hoje – uma explicação que utiliza elementos simbólicos e sobrenaturais para entender o mundo e dar sentido à vida humana, respondendo satisfatoriamente à curiosidade das pessoas. Muitos acreditavam e acreditam em certas explicações mitológicas sem fundamentação lógica de um saber racional e sem colocar em dúvida aspectos dessa crença. O mito não coloca em dúvida suas explicações: são verdades absolutas e ninguém pode negar; já a filosofia caracteriza-se por sempre buscar algo mais, por não se contentar com a primeira explicação disponível.
A filosofia nasceu e nasce da aspiração de estar em toda parte e em qualquer circunstância. É como o ar que respiramos e que nos coloca diante de questões que exigem “atitudes” para tomar certas decisões que preencham nossas aspirações. É por isso que a filosofia ainda não teve fim, e provavelmente jamais terá, embora, em muitos momentos da história, filósofos tenham tido a pretensão de ter alcançado a sabedoria, isto é, o fim da própria atividade filosófica. Mas suas idéias foram logo questionadas, e sua pretensão ruiu, seguindo a filosofia à procura de um saber cada vez mais aprimorado.
Você está percebendo que a filosofia é uma atividade em constante transformação: depende da cenografia de cada época e dos atores que sobem ao palco – os filósofos que tentam compreender essa cena em que vivem. Desse modo, é muito difícil definir o que seja filosofia, pois ela assume diferentes feições. Para facilitar sua compreensão, falaremos um pouco de três grandes figuras do período clássico grego, que viveram entre os séculos V e III a.C. e de como viveram a atividade filosófica.
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