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Platão

Platão foi discípulo de Sócrates e também cidadão ateniense. Era uma pessoa de família rica, culta, inteligente e produziu discursos e várias obras filosóficas. Destacou-se após a publicação do discurso em defesa de Sócrates, que havia bebido o cálice de cicuta, a pena de morte vigente em Atenas.

Á escola que fundou em Atenas, ele deu o nome de Academia. Nessa escola ensinava-se filosofia, matemática e ginástica. E também utilizava-se o método dialógico criado por Sócrates, pois Platão o considerava seguro e importante para o desenvolvimento da filosofia.

A preocupação central de Platão consistia em perceber a relação entre aquilo que, de um lado, é eterno e imutável, e aquilo que, de outro, flui, ou seja, movimenta-se. Concluiu que aquilo que é eterno e imutável está no plano ideal, racional, espiritual. Está naquilo que ele chamou de mundo das idéias. Já aquilo que flui pertence ao mundo dos sentidos, dos acontecimentos, e é feito de um material sujeito à corrosão do tempo.

De fato, essa preocupação de Platão aparece porque ele estava querendo provar a existência do conhecimento verdadeiro. Partiu da constatação de que tudo aquilo que sabemos, temos acesso ou pelos sentidos (visão, audição, tato, paladar, olfato) ou pelo pensamento, pela razão. Qual dos dois seria o mais confiável? O conhecimento sensível era o do mundo dos sentidos, que flui e se transforma; portanto, é um conhecimento transitório. Já as idéias só podem ser conhecidas pelo pensamento; nós não conseguimos ter uma percepção sensível de uma idéia (vê-la, cheirá-la etc.), mas o mundo das idéias é o mundo da perfeição, aquele que é eterno. Então, ele chegou à conclusão de que o verdadeiro conhecimento é o das idéias, e não o dos sentidos, que são apenas aparências.

Mas o verdadeiro conhecimento não pode desprezar o mundo dos sentidos; só com base nele é que podemos chegar nas idéias. Portanto, era preciso partir do mundo dos sentidos, compreender como ele se manifesta na realidade e formular uma idéia sólida para chegar a um conhecimento que não nos traga dúvidas, do qual possamos estar seguros.

A razão é eterna e imutável, pois emite juízos daquilo que só se manifesta sobre dados que são eternos e universais, levando-nos a idéias verdadeiras, ao passo que as opiniões e os sentidos podem nos dar idéias falsas sobre o que sentimos e percebemos, pois estão baseados na transitoriedade.

Essa divisão entre dois mundos é a marca da filosofia de Platão, aparecendo também em sua visão do homem, separando o corpo da alma. Para ele, o espírito ou a alma é intelectiva (racional) e superior. O corpo é irracional (sensível) e inferior. O corpo, com suas inclinações e paixões, contamina a pureza da alma racional, impedindo-a de contemplar as idéias perfeitas e eternas. Como nossos sentidos estão ligados ao corpo, não são totalmente confiáveis. Confiável é a alma imortal, onde existe a morada da razão. E porque a alma não é material, ela pode ter acesso ao mundo das idéias.

Mas Platão dava um papel importante aos exercícios físicos, atribuindo a eles a qualidade de vivificar a alma e permitir a sua concentração na contemplação das idéias. Ele mesmo era um atleta (seu verdadeiro nome era Arístocles, mas recebeu o apelido de Platão que, em grego, significa “ombros largos”) e acreditava que a ginástica e a música permitem a superioridade do espírito sobre o corpo. Assim, a alma só pode desenvolver-se com um corpo forte e saudável; ao contrário, a fraqueza física torna-se um empecilho à vida superior do espírito.

Platão defendia a existência de um mundo ideal, perfeito e imutável. No nosso mundo sensível, tudo deveria buscar o modelo dessa perfeição. E para isso, era preciso encontrar, também para a sociedade, um modelo que privilegiasse esse raciocínio. Baseando-se nisso, ele imaginou um Estado constituído como o corpo humano.

Segundo ele, o corpo humano consistia em três partes: cabeça, peito e baixo-ventre. A razão pertence à cabeça, a vontade ao peito e o desejo ao baixo-ventre. A razão deve inspirar sabedoria, a vontade deve mostrar coragem e os desejos devem ser controlados. Para existir uma perfeição social, a organização da sociedade deve ser de acordo com a classificação do corpo humano: governantes (cabeça), soldados (peito) e trabalhadores em geral (baixo-ventre).

Só podem governar a sociedade aqueles que têm a possibilidade do pleno uso da razão, pois só eles podem compreender a idéia de Justiça e dirigir os demais segundo ela. E nesse caso, quem tem o pleno exercício da razão, segundo Platão, é o filósofo. É por isso que, para ele, ou os filósofos tornavam-se reis, ou os reis deveriam tornar-se filósofos.


Platão inventou uma forma de fazer filosofia: pegou emprestado de Sócrates o método da conversa, do diálogo para expressar suas idéias. Mas, diferente do seu mestre, não ficava pelas ruas conversando com as pessoas; pensava e tentava chegar a idéias cada vez mais perfeitas. Para comunicar aos outros essas idéias, escrevia na forma de diálogos, com vários personagens conversando entre si e defendendo idéias diferentes.

Na imensa maioria de suas obras, Sócrates era a personagem principal, na boca da qual Platão colocava as idéias que pretendia demonstrar.

Veja também: Sócrates, Aristóteles