A preocupação de racionalizar, padronizar e prescrever normas de conduta ao administrador levou os engenheiros da Administração Cientifica a pensarem que tais princípios pudessem ser aplicados a todas as situações possíveis. Cada autor estabeleceu seus próprios princípios de administração. Um princípio é uma afirmação válida para uma determinada situação; é uma previsão antecipada do que deverá ser feito quando ocorrer essa situação. Dentre a profusão de princípios defendidos pelos autores da Administração Científica, os mais importantes são:
1. Princípios da Administração Científica de Frederick Taylor
Para Taylor, a gerência deve seguir quatro princípios, a saber:
1. Princípio de planejamento: substituir o critério individual do operário e a improvisação do tipo empírico-prático por métodos baseados em procedimentos científicos. Substituir a improvisação pela ciência, por meio do planejamento do método.
2. Princípio de preparo: selecionar cientificamente os trabalhadores de acordo com suas aptidões e prepará-Ios e treiná-Ios para produzirem mais e melhor, de acordo com o método planejado. Preparar também máquinas e equipamentos através do arranjo físico e da disposição racional das ferramentas e materiais.
3. Princípio do controle: controlar o trabalho para se certificar de que está sendo executado de acordo com os métodos estabelecidos e segundo o plano previsto.
4. Princípio da execução: distribuir as atribuições e responsabilidades, para que a execução do trabalho seja feita pelos operários.
2. Outros Princípios Implícitos da Administração Segundo Taylor
Além dos quatro princípios explícitos citados, podemos considerar outros princípios que Taylor enunciou dispersivamente em sua obra, quais sejam:
1. Estudar o trabalho dos operários, decompô-lo em seus movimentos elementares e cronometrá-lo para, após uma análise cuidadosa, eliminar ou reduzir os movimentos inúteis e aperfeiçoar e racionalizar os movimentos úteis.
2. Estudar cada tarefa antes de fixar o modo como deverá ser executada.
3. Selecionar cientificamente os trabalhadores de acordo com as tarefas que lhes serão atribuídas.
4. Dar aos trabalhadores instruções técnicas sobre o modo de trabalhar, ou seja, treiná-Ios adequadamente.
5. Separar as funções de preparação e as de execução, dando-lhes atribuições precisas e delimitadas.
6. Especializar e treinar os trabalhadores na execução das tarefas.
7. Preparar a produção, ou seja, planejá-Ia e estabelecer prêmios e incentivos para quando forem atingidos os padrões estabelecidos, bem como outros prêmios e incentivos maiores para quando os padrões forem ultrapassados.
8. Padronizar os utensílios, os materiais, o maquinário, o equipamento e os métodos e processos de trabalho a serem utilizados.
9. Dividir proporcionalmente (entre a empresa, os acionistas, os trabalhadores e os consumidores) as vantagens resultantes do aumento da produção proporcionado pela racionalização.
10. Controlar a execução do trabalho, para mantê-lo nos níveis desejados, aperfeiçoá-lo, corrigí-lo e premiá-lo.
11. Classificar de forma prática e simples os equipamentos, os processos e os materiais a serem empregados ou produzidos, de forma a tornar fácil o seu trato e o seu uso.
3. Princípios de Eficiência de Emerson
Harrington Emerson (1853-1931), um dos principais seguidores de Taylor, também engenheiro, procurou simplificar os métodos de trabalho. Popularizou a Administração Científica e desenvolveu os primeiros trabalhos sobre seleção e treinamento de empregados. Os princípios de rendimento preconizados por Emerson são:
1. Traçar um plano definido, de acordo com os objetivos a alcançar.
2. Estabelecer o predomínio do bom senso.
3. Oferecer orientação e supervisão competentes.
4. Manter disciplina.
5. Honestidade nos acordos, ou seja, justiça social no trabalho.
6. Manter registros precisos, imediatos e adequados.
7. Oferecer remuneração proporcional ao trabalho.
8. Fixar normas padronizadas para as condições de trabalho.
9. Fixar normas padronizadas para o trabalho em si.
10. Fixar normas padronizadas para as operações.
11. Estabelecer instruções precisas.
12. Oferecer incentivo para maior rendimento e eficiência.
Emerson antecipou-se à Administração por Objetivos proposta por Peter Drucker na década de 1950.
4. Princípios Básicos de Ford
O mais conhecido dos precursores da Administração Científica, Henry Ford (1863-1947) iniciou sua vida como mecânico, chegando a engenheiro-chefe de uma fábrica. Idealizou e projetou um modelo de automóvel e em 1899 fundou sua primeira fábrica de automóveis. Em 1903, fundou a Ford Motor Co. Sua idéia era fabricar carros – antes artesanais, únicos, feito sob encomenda, caríssimos e destinados a poucos milionários – a preços populares dentro de um plano de vendas e assistência técnica. Revolucionou a estratégia comercial da época e produziu enorme impacto sobre a maneira de viver das pessoas. Entre 1905 e 1910, Ford promoveu a grande inovação do século XX: a produção em massa. Embora não tenha inventado o automóvel, nem mesmo a linha de montagem, Ford inovou na organização do trabalho: a produção de maior número de produtos acabados com a maior garantia de qualidade e pelo menor custo possível. Em 1913 já fabricava 800 carros por dia. Em 1914 repartiu com seus empregados uma parte do controle acionário da empresa. Estabeleceu o salário mínimo de cinco dólares por dia e jornada diária de oito horas, quando na época, a jornada variava entre dez e doze horas. Em 1926, já tinha 88 fábricas e empregava 150.000 pessoas, fabricando 2.000.000 de carros por ano. Utilizou um sistema de concentração vertical, (produzindo desde a matéria-prima inicial ao produto final acabado), além da concentração horizontal (através de uma cadeia de distribuição comercial por meio de agências próprias).
Por meio da racionalização da produção idealizou a linha de montagem, que permitiu a produção em série. O produto é padronizado quanto ao material, mão-de-obra, maquinário, desenho e ao mínimo custo possível. A condição precedente, necessária e suficiente é a capacidade de consumo em massa, seja real ou potencial. Daí, os preços baixos. Um carro por apenas 500 dólares.
A produção em massa se baseia na simplicidade. Três aspectos suportam o sistema:
1. A progressão do produto através do processo produtivo é planejada, ordenada e contínua. Não há interrupções.
2. O trabalho é entregue ao trabalhador em vez de obrigá-lo a ir buscá-lo.
3. As operações são articuladas e coordenadas em todos os seus elementos.
Ford adotou três princípios básicos, a saber:
1. Princípio de intensificação: diminuir o tempo de duração com o emprego imediato dos equipamentos e da matéria-prima e a rápida colocação do produto no mercado. É o que chamamos hoje de redução do ciclo de tempo.
2. Princípio de economicidade: reduzir ao mínimo o volume do estoque da matéria-prima em transformação. Conseguiu que o automóvel vendido fosse pago à empresa antes de vencido o prazo de pagamento da matéria-prima ao fornecedor e dos salários aos empregados. A velocidade de produção deve ser rápida. O atual esquema just-in-time utilizado na produção ou manufatura tem muito a ver com esse princípio.
3. Princípio de produtividade: aumentar a capacidade de produção do homem no mesmo período (produtividade) por meio da especialização e da linha de montagem. O operário ganha mais e a empresa tem maior produção.
O esquema se caracteriza pela aceleração da produção por meio de um trabalho ritmado, coordenado e econômico.
Ford teve uma incrível intuição de marketing: concluiu que o mundo estava preparado para um carro financeiramente acessível. Em seguida, buscou as técnicas de produção em massa como única forma de viabilizá-lo. Então definiu o preço de venda e desafiou a organização a fazer com que os custos fossem suficientemente baixos para garantir aquele preço. Assim, deu ao mercado o que ele queria: modelos simples e acessíveis. Após três décadas o gênio do marketing perdeu a percepção e a noção daquilo que os clientes aspiravam. Os outros fabricantes começaram a acrescentar opcionais aos carros e Ford continuou fabricando os mesmos modelos simples e básicos